Esquecimentos frequentes, dificuldade para encontrar palavras simples, perda de concentração e sensação de raciocínio mais lento são queixas comuns entre mulheres no climatério e na menopausa. Muitas vezes esses sintomas são atribuídos apenas ao estresse, ao excesso de responsabilidades ou ao envelhecimento. No entanto, existe uma explicação fisiológica importante por trás dessa queixa tão comum: o cérebro feminino passa por importantes adaptações hormonais e metabólicas durante essa fase da vida.
Grande parte dessas mudanças começa com a redução do estrogênio. Esse hormônio exerce funções essenciais no cérebro, influenciando a comunicação entre os neurônios, a produção de neurotransmissores, a utilização de energia e mecanismos de proteção cerebral. Quando seus níveis diminuem, diversas funções cognitivas podem ser afetadas ao mesmo tempo, favorecendo o surgimento da chamada névoa mental.
Uma das alterações envolve o metabolismo energético cerebral. O estrogênio ajuda os neurônios a captar e utilizar a glicose, seu principal combustível. Com sua redução, esse processo se torna menos eficiente, fazendo com que áreas ligadas à memória, atenção e aprendizado passem a trabalhar com menor disponibilidade energética. Isso ajuda a explicar por que tarefas rotineiras podem exigir mais esforço mental do que antes.
Nesse cenário, a alimentação assume papel fundamental. Uma dieta baseada em proteínas de qualidade, vegetais, azeite de oliva, abacate, castanhas, sementes e peixes contribui para maior estabilidade glicêmica e evita oscilações de energia ao longo do dia. Estudos também sugerem que os corpos cetônicos, produzidos a partir das gorduras, podem servir como fonte alternativa de combustível para os neurônios quando a utilização da glicose se torna menos eficiente. Por isso, algumas mulheres relatam melhora da clareza mental ao reduzir carboidratos refinados e priorizar gorduras saudáveis dentro de um plano alimentar individualizado.
Ao mesmo tempo, a queda do estrogênio altera o equilíbrio de substâncias cerebrais responsáveis pelo foco, memória, humor e qualidade do sono. Como resultado, podem surgir sintomas como ansiedade, irritabilidade, insônia, dificuldade de concentração e a sensação de que a mente não desacelera. Entre essas substâncias estão o glutamato, ligado ao estado de alerta, e o GABA, que exerce um efeito calmante sobre o sistema nervoso.
É justamente nesse contexto que o magnésio ganha destaque. Além de participar da produção de energia celular, o magnésio ajuda a equilibrar mecanismos cerebrais relacionados ao estado de alerta e ao relaxamento mental. Na prática, isso pode favorecer maior estabilidade mental, melhor qualidade do sono e menor fadiga cerebral. Como sua ingestão costuma ser insuficiente na alimentação, a suplementação pode ser importante nessa fase.
Outros nutrientes também merecem atenção. O ômega-3 contribui para a integridade das membranas neuronais e para a comunicação entre as células cerebrais. Já as vitaminas do complexo B participam da síntese de neurotransmissores ligados à memória, atenção e humor.
Outro fator envolvido na névoa mental é o aumento dos processos inflamatórios no sistema nervoso central. A redução do estrogênio diminui parte da proteção anti-inflamatória natural do organismo, tornando o cérebro mais vulnerável ao estresse oxidativo. Por isso, um padrão alimentar rico em vegetais, frutas vermelhas, ervas, especiarias, azeite de oliva extravirgem e outros compostos antioxidantes como a suplementação de Curcuma longa ajuda a proteger os neurônios e modular a inflamação.
Embora a névoa mental seja uma experiência comum no climatério e na menopausa, ela não deve ser encarada como algo inevitável. Quando necessário, a terapia hormonal prescrita pelo médico também pode fazer parte da abordagem. Compreender o que acontece no cérebro feminino permite adotar estratégias nutricionais e terapêuticas mais eficazes para preservar memória, concentração e qualidade de vida.


