Pular para o conteúdo
KARLA KUSTER CABECA hojesc

Negócios à parte: Família em primeiro lugar

Você, que vive entre planilhas e jantares em família: já parou pra pensar no que acontece quando uma discussão sobre estoque vira o tempero do almoço de domingo? Sem enrolação, estou falando da arte de separar negócios e vida pessoal, especialmente em empresas familiares. Eu sei, na teoria parece simples, mas e na prática?
Vamos falar sobre isso, com leveza, porque ninguém merece surtar com esse assunto.

Confesso: muita gente mistura tudo, e o resultado é estresse acumulado. Estudos mostram que cerca de 70% das empresas familiares não sobrevivem à transição para a segunda ou terceira geração, e boa parte disso vem de conflitos pessoais que se espalham do escritório para casa – não por falta de lucro, mas por bagunça emocional.

Imagina: você e o cônjuge discutem fornecedores o dia inteiro, e à noite o papo vira “aquela fatura atrasada”? Ou no almoço com os filhos, uma cobrança vira briga? Relacionamentos azedam, o clima pesa, casamentos acabam e o que era para ser refúgio vira extensão do trabalho.

Porém isso não é o fim do mundo, isso tem como resolver e está na hora de traçar limites.

Primeira dica: crie horários sagrados para os negócios, uma sugestão é, “de 9h às 18h, falamos de planilhas; depois, só conversa leve, Netflix e assuntos familiares”.

Casais que trabalham juntos? Façam um combinado: no carro para casa, música alta e nada de relatórios.
Outra dica é: separe os papéis. No trabalho, é o sócio ou o chefe; em casa, o parceiro, o pai, ou a mãe. Treine o seu cérebro: “Aqui é zona neutra”.

Para famílias maiores, reuniões semanais são só para os assuntos da empresa – fora dali o foco tem que ser no churrasco, no jogo ou até numa fofoca boa.

Os assuntos devem ser separados até no aplicativo de conversas. Use o grupo da família somente para os assuntos da família e crie um grupo exclusivo para os negócios, para não poluir o grupo familiar com memes misturados a boletos.

E mais: quando surgir um problema, marque para discutir no horário certo – nada de “só mais uma coisa” no meio do jantar, por mais que aquele assunto esteja entalado na sua garganta. Quando isso acontecer lembre-se que esse assunto deveria ser tratado no horário comercial.

Comece pequeno: teste uma semana sem “problemas empresariais” na mesa. Acredite, vale o teste.

No fim, quem separa lucra duplo: empresa mais focada, família preservada e feliz.

Preserve o calor para o lar e a frieza para o negócio. A dica? Equilíbrio não é luxo, é sobrevivência.

Leia outras colunas da Karla Küster aqui.