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O cinema brasileiro perdeu nesta quarta-feira, 22, um de seus maiores nomes. Morreu, aos 98 anos, o produtor, diretor, fotógrafo e empresário Luiz Carlos Barreto, conhecido como Barretão. A informação foi confirmada por sua família ao jornal O Globo. Figura central no desenvolvimento da indústria cinematográfica nacional, ele ajudou a transformar o audiovisual brasileiro ao produzir alguns dos filmes mais importantes da história do País.
Ao lado da produtora Lucy Barreto, sua companheira de vida e de trabalho, fundou a LC Barreto Produções, responsável por dezenas de obras que conquistaram milhões de espectadores e levaram o cinema brasileiro a festivais internacionais. Com uma trajetória iniciada no fotojornalismo, Barretão construiu uma carreira marcada pela defesa da produção nacional e pela busca de um cinema popular sem abrir mão da qualidade artística.
Luiz faleceu após uma queda acidental durante viagem ao Ceará, onde participaria de uma homenagem. Antes disso, ele estava internado no Hospital Copa Star, em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde tratava uma infecção pulmonar decorrente de uma pneumonia, desde o dia 14 de julho.
Uma vida dedicada ao cinema
Nascido em Sobral, no Ceará, em 1928, Luiz Carlos Barreto começou sua trajetória profissional ainda jovem, trabalhando como jornalista e fotógrafo. Depois de atuar na revista O Cruzeiro e passar uma temporada na França, aproximou-se definitivamente do cinema ao colaborar com nomes como Glauber Rocha e Nelson Pereira dos Santos.
Seu talento como diretor de fotografia ficou evidente em Vidas Secas (1963), filme considerado um dos maiores clássicos do Cinema Novo. A produção também marcou uma mudança estética importante ao retratar a paisagem nordestina com iluminação natural e fortes contrastes, característica que se tornaria uma referência para o cinema brasileiro.
Clássicos que marcaram gerações
Como produtor, Barretão esteve à frente de títulos que atravessaram décadas e permanecem entre os mais importantes da filmografia nacional. Entre eles estão Dona Flor e Seus Dois Maridos (1976), que durante muitos anos foi a maior bilheteria da história do cinema brasileiro, Bye Bye Brasil (1980), O Que É Isso, Companheiro? (1997), indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional, Última Parada 174 (2008) e Lula, o Filho do Brasil (2009).
Ao longo da carreira, também colaborou com cineastas como Cacá Diegues, Hector Babenco, Walter Lima Jr., Bruno Barreto e Fábio Barreto, consolidando-se como um dos principais produtores da história do audiovisual brasileiro.
Foto: Reprodução YouTube
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