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marcus gomes

A seleção brasileira é uma piada pronta

Brasileiro sofre. Eu não. Vou aos canais de torcedores no YouTube e me mato de rir.

Na partida contra a Noruega, o goleiro Alisson, da seleção brasileira, foi comparado a Inri Cristo. Pausa para risos. O místico que, novidade nenhuma, diz ser a reencarnação de Jesus, viveu em Curitiba por décadas até se transferir para Brasília, onde seus serviços parecem ser mais apreciados. Nos anos 1960, o dito Messias era apenas um astrólogo autodenominado “Inri de Nostradamus”. Mudou de nome, creio, por questões mercadológicas.

Haaland, atacante da Noruega, fez os dois gols que fecharam o caixão do Brasil ainda nas oitavas de final da Copa. Um flamenguista de quatro costados descobriu que o nome do jogador é pronunciado na língua nativa como “rola”. Outra pausa para risos.

Claro, nada comparável a Casemiro, o veterano camisa 5 da seleção, que chorou diante das câmeras em mais um capítulo melodramático do nosso futebol. “É muito difícil, não tenho palavras”, afirmou. Foi contido, é verdade. Em 2014, David Luiz fez muito mais após a goleada de 7 a 1 sofrida para a Alemanha: “Eu só queria poder dar uma alegria para o povo, para essa gente que sofre tanto todos os dias. Infelizmente não conseguimos”. E assim segue a vida, sem novidades no front.

Casemiro disputou as Copas de 2018, 2022 e 2026. Torçamos para que a de 2030 poupe a ele e a todos nós desse momento.

Time pequeno

A essa altura, os torcedores que consideravam a equipe de Carlo Ancelotti (aka Padre Quevedo) o “Orgulho Futebol Clube” estão à cata de um culpado. Autor da cobrança de pênalti desperdiçada aos 14 minutos do primeiro tempo, Bruno Guimarães está no topo da lista. Mas calma lá, torcedor. Na coletiva, Ancelotti garantiu que a escolha do jogador baseou-se em “estatísticas de eficiência”.

Se tivesse convertido a penalidade e a seleção se classificasse, os números e dados seriam tão desprezíveis quanto as previsões astrológicas de Inri Cristo em seu antigo cognome. Com a derrota, no entanto, a aritmética veio à tona.

A Noruega ficou com a posse de bola durante 66% do tempo, ante 34% do Brasil. Sim, uma atuação de time pequeno que rejeita a bola e aposta nos contra-ataques. A Chapecoense faz isso, o Remo faz isso, o Londrina faz isso e, ó vida, o Paraná Clube também. Mas a seleção brasileira não deveria. Não com aquelas cinco estrelas no peito e o jeitão de quem fulmina adversários.

Vale três

Não falei de Neymar. É proposital. “Tentei, tentei. Começou aqui. Acabou aqui”, disse ele a um repórter da Globo na saída de campo. Se isso quer dizer que está dando adeus à seleção, alvíssaras. Se está se despedindo do futebol, alvíssaras em dobro.

Foi o atacante entrar em campo e a seleção tomou os dois gols. Juro, fiquei esperando que a TV focalizasse Mick Jagger em um dos camarotes do estádio. Dessa vez, não tivemos essa nota cômica. Que fazer? Ri do mesmo jeito.

O bom é que as piadas não ficaram restritas ao jogo da seleção. Do lado de fora, os pândegos mandaram ver nas redes com a notícia de que Eduardo Bolsonaro — aquele — iria recorrer a Trump para fazer com que a penalidade convertida por Neymar, em um inexplicável extra-acréscimo do segundo tempo, valesse três gols. É assim no basquete, não?

Foi nessa onda, de deboche e escárnio, que a Fifa anunciou o cancelamento do cartão vermelho aplicado ao atacante dos EUA, Balogun, liberando-o para o jogo contra a Bélgica. Ah, sim: nesse caso não foi uma piada. Mas eu rio mesmo assim.

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