
Quando se fala em profissionalização de empresas familiares, muitas vezes a primeira ideia que surge é que a família deve se afastar da operação do negócio, ocupando apenas cargos na alta gestão, como na assembleia de sócios ou no conselho de administração.
Embora a contratação de profissionais de mercado seja uma prática recomendável em muitos casos, ela não é a única solução. É perfeitamente possível que membros da própria família assumam papéis executivos na empresa, desde que estejam preparados para isso. Para ocupar essas funções, os familiares precisam demonstrar atitudes profissionais, preparo técnico compatível, disciplina e, acima de tudo, compromisso com resultados.
É importante destacar que não se trata de garantir cargos de liderança por nepotismo ou herança. A profissionalização exige preparação, comportamento adequado, entrega de resultados e alinhamento com a cultura organizacional. Esse processo deve começar cedo, tanto por iniciativa do fundador ou patriarca quanto pelos próprios sucessores, que devem refletir sobre suas escolhas de carreira e desenvolvimento. Se houver intenção de que herdeiros assumam posições de liderança, algumas regras básicas devem ser seguidas.
A primeira delas é a preparação técnica. Quem deseja gerir um negócio deve ser capaz de entregar resultados e compreender indicadores estratégicos, além de estar apto a dialogar com investidores e demais executivos. Isso exige formação sólida: seja um curso superior, uma especialização lato sensu, ou até cursos livres que tragam conhecimento relevante em áreas como finanças, marketing, comunicação ou gestão de pessoas.
Outro ponto importante é a experiência fora da empresa da família. Estágios e vivências em outras organizações ajudam a construir visão de mercado e a desenvolver habilidades práticas. Também é fundamental dominar outro idioma e manter uma rotina de atualização constante, dedicando pelo menos 30 a 40 horas anuais ao aprendizado.
Disciplina e postura profissional são indispensáveis. Isso inclui pontualidade em reuniões, etiqueta corporativa e o entendimento de que ser membro da família não dá direito a tratamento diferenciado ou permissividade. Respeito às normas e à cultura organizacional deve ser a base do comportamento.
Essas diretrizes, entre outras, são essenciais para que um familiar atue como um verdadeiro executivo de mercado. Ele pode carregar o sobrenome da família, mas precisa ter a postura de quem trabalha em uma empresa que não é sua.
Leia outras colunas do Manoel Knopfholz aqui.

