
Em 2022, recém-saído da cadeia, Lula ressurgiu como candidato à presidência prometendo aos seus que não disputaria o cargo novamente. “Todo mundo sabe que não é possível a um cidadão de 81 anos querer a reeleição”, afirmou ele, prestes a completar 77. Mentira.
Um mandato depois, e eis que o petista confirma sua disposição de seguir em frente. Se eleito pela quarta vez, ele cumprirá mandato até 2030, quando, então, terá 85 anos. Antes que alguém questione seu compromisso com a verdade, ele se adianta: “Se eu ganhar essa, são quatro Copas. Não vou ter chance de disputar o penta”. Mentira.
Lula quer uma estátua, e seu futuro indicado ao STF (Reinaldo Azevedo, se não me falha a memória) faz campanha para que a homenagem se petrifique. O presidente expõe suas razões: é o líder incontestável da esquerda brasileira, o “Lulinha da dona Lindu”, que tudo venceu. Quando isso parece pouco, compara-se ao nosso maior atleta. Ele é o Pelé da política — e essa associação é até razoável, considerando que, em meio às denúncias do Petrolão, ele apelou à sua semelhança com Jesus Cristo, que também sangrou na cruz.
Nas eleições americanas de 2024, Joe Biden foi obrigado a renunciar a uma nova candidatura após o primeiro debate televisivo. Ele estava com 81 anos e se mostrava claudicante e senil. Lula, aparentemente, não dá sinais de decadência física ou mental, salvo o besteirol de sempre e o gesto nada republicano em que mostrou o dedo médio aos adversários.
Se vencer o clã Bolsonaro nas urnas, ele abrirá um novo capítulo em sua história política.
O que se viu, no palanque, foi o narcisista de sempre, lidando com o seu legado sem atentar para o deserto de lideranças políticas que deixará em seu rastro.
Um dos que foram sem nunca terem sido é o ex-ministro Fernando Haddad. Encarregado de disputar o governo de São Paulo em um cenário de derrota anunciada, ele pode vir a ocupar um cargo no ministério de Lula 4, mas na condição de arquivado pelas urnas.
Quanto ao vice Geraldo Alckmin, parece um agente funerário de luxo, sempre tomando as medidas do chefe caso uma fatalidade ocorra e ele venha a assumir a Presidência da República por “determinação constitucional”. Não por acaso, Lu Alckmin, a mulher de Geraldo, surgiu vestida a caráter, com um chamativo vestido vermelho. Acho que ela quer dizer alguma coisa.
Claro que falta combinar com o petista-mor. Enquanto garante que não disputará o penta, o hexa ou o hepta, Lula assiste, com um tiquinho de inveja, a Paul Biya assumir um novo mandato na Presidência da República do Camarões. Com 91 anos, ele foi reeleito para o seu oitavo mandato de 7 anos. Está no poder desde 1982 e, antes, acredite, foi primeiro-ministro.
Lula diz que não quer passar à história apenas como o presidente do Bolsa Família. Ora, não há nada demais nisso. FHC é o presidente do Real, Dilma é a presidente da meta sem meta, Collor é o presidente do maracujá, Itamar é o presidente da modelo sem calcinha, Bolsonaro é o da cloroquina e Getúlio é o do pipoco. Lula deveria estar feliz. Não fosse a canetada do STF, o petista agora seria lembrado como o presidente do Petrolão. Claro, ele não saberia de nada.
POST SCRIPTUM
Assisti, com surpresa, à desistência do octogenário Alvaro Dias. Ele iria disputar o Senado pelo MDB velho de guerra e, atenção, liderava as pesquisas de intenção de voto. “Nunca coloquei um projeto pessoal acima de um projeto coletivo. Não fiz isso no passado e, por isso, também não o farei agora”, tilintou ele em carta aberta.
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