Lula faz 81 anos em 27 de outubro. Dois dias depois do segundo turno, quatro dias antes do Dia das Bruxas. E está gagá.
Não é ofensa. Romário disse o mesmo acerca de Pelé quando o rei do futebol sugeriu ao jogador que se aposentasse. A diferença é que Pelé não estava gagá. E mesmo que estivesse, há muito se despedira do gramado. Lula quer continuar nele.
Veja a figura que aparece na propaganda política, enfiado num chapéu Panamá, encolhido e oscilante. Agora ele é o presidente que acabou com o imposto das blusinhas. Um imposto que ele mesmo criou, em sua sanha arrecadatória, no início de 2023, ao derrubar a isenção para compras internacionais até 50 dólares.
Lula está gagá. E isso não deveria ser motivo de vergonha. Há dois anos, o democrata Joe Biden foi convencido a desistir da reeleição presidencial depois de chamar Jesus de Genésio no debate entre candidatos. Fez pior. Chamou Kamala Harris de Donald Trump.
Se esse é um indicativo de senilidade, Lula demonstra sintomas semelhantes. Em fevereiro deste ano, chamou Janja de Marisa. Em 2024, confundiu Emmanuel Macron com Nicolas Sarkozy. No mesmo ano, tratou o vice, Geraldo Alckmin, de José de Alencar. Depois, agradeceu aos afrodescendentes pelos 350 anos de escravidão, incentivou o hábito da leitura mesmo admitindo que não lê livro nenhum e, suprassumo, interrompeu o discurso durante um evento oficial para perguntar à plateia e aos assessores onde estava o seu celular. Descobriu que estava no bolso do paletó.
Se Lula participasse de debates, como fez Joe Biden, talvez tomasse a decisão de renunciar à candidatura. Em vez disso, só fala em ambientes controlados. Na quarta-feira, em entrevista a um podcast chinfrim, sem qualquer relevância (mas com verbas de publicidade do governo), isentou-se em relação a Alexandre de Moraes. “Não fui eu quem o nomeou”, afirmou, naquele tom de “não sabia de nada”. Em outro trecho, disse que o ministro foi o herói da democracia no julgamento dos atos golpistas de 8 de janeiro. Nenhuma palavra sobre as 52 mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro. Ele não sabia de nada.
Lula está gagá. Isso não é injúria. Não é jogar sujo e bater abaixo da linha da cintura. Fosse assim, e este escriba poderia ser indicado a uma vaga no STF ou na Procuradoria-Geral da República. Reputação ilibada. Notório saber jurídico. O mesmo de Cristiano “Peeling” Zanin. De Gilmar “Palooza” Mendes. De Kassio “Concá” Nunes Marques. De Dias “Tayayá” Toffoli. De Paulo “Macallan” Gonet. E Fux-se quem puder.
Lula está gagá, e as pesquisas eleitorais ecoam esse diagnóstico. Ele contava com a escala 6×1. Melou. Ele contava com o blá-blá-blá da soberania. Cansou. Ele conta agora com o reajuste do Bolsa Família em plena campanha. É um ato de desespero. Um abraço de afogado. Se o apoiador José Sarney pular fora, é batata. Se o entusiasta Paulo Maluf pular fora, é mortal.
Lula está gagá. Agora, empatado com o equivalente dos Irmãos Petralha em passado recente. Se resistir ao apocalipse e conquistar o quarto mandato, poderá nomear quatro ministros do Supremo. Jorge Messias, a Missão, quem sabe. Marcola, o outro, talvez. Gleisi Hoffmann, ora, é advogada. E mais aquele constitucionalista de renome que me escapa. Reinaldo Azevedo, se não me falha a memória. Eu mesmo estou gagá.
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