A Livro-se fecha o ano de 2025 da melhor maneira possível. Abaixo você poderá reler uma retrospectiva com seis notas publicadas em colunas anteriores e selecionadas especialmente para este momento. Não foi adotada nenhuma diretriz específica, mas o material exclusivo teve a prioridade (o que já é um critério). Boa leitura e que venha 2026!
A nova tradução de ‘Ardil-22’

“Ardil-22” (Record, 528 págs., R$ 99,90) volta às livrarias com nova tradução, de Rogerio Galindo, no ano em que se completam 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial. Marco da literatura norte-americana e um dos mais celebrados livros do século XX, a obra de Joseph Heller é uma sátira da guerra e já foi adaptada para o cinema, teatro e televisão.
Sobre a missão de traduzir esse clássico de 1961, o jornalista e CEO do Plural.jor.br, Rogerio Galindo, comentou com exclusividade à coluna “Livro-se”:
“Nem sempre a gente escolhe o que vai traduzir. Normalmente as editoras propõem um livro e você pode aceitar ou não. Mas no caso do ‘Ardil 22’, eu realmente insisti e propus até que o pessoal da Record topou. A tradução que eles usavam era a mesma fazia décadas, e achei que o livro, que é um dos meus favoritos, tinha a ganhar com um texto em português modernizado. Deu um trabalho, porque o Heller escrevia bem demais, e o livro é cheio de truques. Mas foi muito divertido também. Um dos melhores livros que conheço, e foi um prazer fazer.”
“Crônicas de Alhures do Sul” (Arte & Letra, 116 págs., R$ 40) é o novo livro do escritor e jornalista Manoel Carlos Karam (1947-2007). Composta com mais de cem narrativas, a obra está disponível também em áudio no YouTube e Spotify.
Além dos 30 podcasts e do impresso, o projeto cultural terá a realização de cinco oficinas de formação voltadas a professores e mediadores, 30 rodas de leitura para jovens e adultos – que vão acontecer nas Casas da Leitura Miguel de Cervantes e Vladimir Kozak de Curitiba, com público agendado de escolas públicas da capital paranaense. Disponível no site da editora: [https://arteeletra.com.br/produtos/cronicas-de-alhures-do-sul/].
A escritora curitibana Luci Collin lança “Incombinados: poemas escolhidos” (Maralto Edições, 259 págs., R$ 59,90), uma antologia que reúne uma seleção criteriosa de poemas feita pela própria autora.
“Escolher poemas de cada um dos livros me colocou em confronto com essa ideia de ‘obra’ e como cada publicação vem marcada pela experiência de vida num determinado momento”, reflete Luci Collin.
“Nos primeiros poemas, a preocupação formal, os temas mais dramáticos, uma poesia e uma poeta que estavam se descobrindo; os mais recentes são mais fluidos, correspondem a uma criação mais madura e profunda com o próprio ato da escrita. Depois de 40 anos de poesia, já está firmado o meu compromisso estético com a palavra.”
Os louvores de Cynthia Becker

A curitibana Cynthia Becker lança neste mês o seu primeiro livro “Louvores” (Patuá, R$ 60). A publicação chega como uma espécie de reação, um enfrentamento e uma escrita com a cabeça na dramaturgia. A seguir, a Livro-se conversou com a mãe, professora de francês e, agora, escritora.
Como surgiu a ideia de “Louvores”?
Cynthia Becker – “Louvores” é uma espécie de reação. De tudo isso que a gente é feito. Nós somos construídos com todos esses mitos, arquétipos, mas não deixo isso explícito nos textos. É o que eu tento pelo menos. É como se fosse uma acusação: “Olha só o que as escrituras sagradas fizeram com a gente”. Por isso que eu prefiro dizer que antes de uma resposta, a obra é uma reação. Um ato a tudo isso que a gente é condicionado, da nossa origem.
Por que foi colocado esse jeito? Por que temos que carregar essa culpa do pecado? Da mulher que tem essa submissão com o homem? Enfim, agora estamos tentando, acho que agora está ocorrendo mais movimentos como resposta e eu nem digo que é feminista. Não me considero uma super feminista.
Mas é uma maneira de reivindicar esse lugar, o nosso lugar.
Então você colocou tudo isso nesses poemas?
Cynthia – Eu escrevo sempre pensando muito na dramaturgia. Quando pegamos um texto de teatro tradicional, esperamos personagens com identidades. Tem a trama, os conflitos, uma narrativa mais ou menos linear, mas essa dramaturgia está sendo bastante discutida. No Brasil talvez nem tanto, mas é o que vem depois do drama – o pós-dramático. Muita gente acha que isso é pós-moderno, mas são coisas diferentes. A teoria do pós-dramático surgiu nos anos 2000, praticamente.
Na sinopse da Patuá, eles afirmam que “‘imagem e semelhança são as vozes de ‘Louvores’”. Você pode explicar um pouco sobre isso?
Cynthia – Sim, é uma imagem e uma semelhança. Eu tento trabalhar muito mais no campo da alteridade do que da identidade. Quando pensamos em personagem, a gente pensa numa identidade com seus traços definidos. É uma personalidade com alguma previsibilidade de comportamento. A alteridade vai num caminho mais da negação da identidade. É esse fluxo que a gente acaba sendo. Então a imagem e a semelhança é um pouco isso. Pensando em pessoa e não em personalidade, mas que tem todo esse fluxo de vozes. Somos mais o outro que uma única coisa.
Disponível em pré-venda pelo link: [https://www.editorapatua.com.br/louvores-poemas-de-cynthia-becker/p].
O vício Dalton Trevisan

Dalton Trevisan completaria 100 anos neste sábado, dia 14 de junho de 2025. Talvez você não saiba, mas a obra do maior contista da história do Brasil é uma das minhas obsessões. Afiado, econômico e ímpar na literatura nacional, Trevisan é um dos meus autores favoritos. Descobri o escritor curitibano no ensino médio lendo o seu “Em Busca de Curitiba Perdida” e logo depois “Cemitério de Elefantes”. Me tornei um admirador imediatamente.
A linguagem e o olhar daltônico sobre a capital paranaense é algo que impressiona. Dalton conseguiu criar um universo próprio e um estilo singular, algo raro na literatura.
No início dos anos 2000, ainda na faculdade de jornalismo, fui confrontado com a leitura de uma de suas melhores obras, o rolo-compressor intitulado “Pico na Veia”. No final de 2024, antes de sua morte em dezembro, fiquei absorto lendo “Rita Ritinha Ritona”. Ler a obra do superno escritor paranaense é um caminho sem volta, imprescindível e marcante na vida de quem gosta de alta literatura.
“Bossa Nova” (Brasa Editora, 264 págs., R$ 164,90) é o terceiro volume da coleção Música Popular em Quadrinhos (MPQ) e reúne nove artistas contemporâneos que contam em oito histórias autorais o ritmo que segue como um marco da cultura brasileira. A obra está em pré-venda no site da [www.brasaeditora.com.br] com 20% de desconto.
Imagens: Reprodução/Divulgação
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