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KARLA KUSTER CABECA hojesc

Liderança que oprime e a que só agrada: os dois lados da mesma moeda

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Você já trabalhou sob um chefe sem noção, que grita, humilha em público ou usa o cargo para colocar medo? Ou sob aquele chefe bonzinho que nunca cobra, evita conflito a qualquer custo e deixa a bagunça crescer até virar crise? Acredite: os dois destroem, e o bonzinho muitas vezes, passa despercebido por mais tempo.

No mundo corporativo convivemos com essas duas faces.

O líder opressor que age pela insegurança: precisa provar poder o tempo todo, corrige o que não precisa, eleva o tom e transforma o ambiente em zona de sobrevivência. Isso gera um resultado meio que óbvio — gente calada, criatividade zero, turnover alto e medo de errar. Já o “bonzinho” parece inofensivo, porque não cobra, não dá feedback difícil, diz sim para tudo e se veste de empatia, só que a conta também chega: metas não batem, mediocridade se instala e quem entrega de verdade se cansa de carregar o time.

A verdade é dura: liderar não é ser o temido e nem ser o querido. Liderar é ser justo. Isso significa clareza, coerência e coragem. Clareza de dizer o que se espera, coerência entre o que se fala e o que se faz, coragem de ter a conversa desconfortável no momento certo, sem drama e sem omissão.

Quando o líder oprime, a equipe aprende a se proteger. Quando o líder só agrada, a equipe aprende que esforço extra não vale a pena. Nos dois casos a empresa perde talentos, produtividade e reputação. O mercado já não perdoa ambientes tóxicos — as redes sociais e o LinkedIn transformaram o “segredo” de corredor em alerta público em minutos.

A boa liderança começa pelo próprio líder. Quem não se autolidera, não lidera ninguém., quem não controla a própria insegurança, vira tirano ou permissivo. Quem não tem coragem de ser direto vira refém do próprio time. E quem acha que cargo garante autoridade descobre rápido que as pessoas seguem postura, não organograma.

Empresas que querem sobreviver precisam parar de promover o técnico brilhante sem preparo emocional e o “cara legal” sem capacidade de cobrar. A empresa precisa treinar líderes para equilibrar empatia com firmeza. Feedback não pode ser ataque. Cobrança não é opressão. Exigir resultado com respeito é o mínimo.

Se você lidera, faça um teste simples: sua equipe tem medo de errar ou medo de não crescer? No primeiro caso, você pode estar oprimindo. No segundo, pode estar sendo justo. A diferença está no tom, na consistência e na intenção real de desenvolver pessoas, não de controlar ou de agradar.

Se você é liderado, observe. Ambiente que só tem grito ou só tem silêncio não é lugar para ficar. Justiça no trabalho não é luxo, é oxigênio e quem respira esse ar produz mais, fica mais e constrói melhor.

O mercado já mudou. A escolha é diária: oprimir, agradar ou ser justo. Só uma dessas opções constrói time de verdade.

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