Existe um provérbio que diz o seguinte: “a ocasião faz o ladrão”.
Galáxias longe de mim acusar ou insinuar qualquer situação quanto ao presidente do São Paulo. Não tenho sequer base documental para ter opinião positiva ou negativa quanto à todas as citações que estão sendo feitas contra ele, e que podem (acho até que vão) levá-lo à destituição do cargo.
No Corinthians, poucos meses atrás, ocorreu a mesma coisa. Com nuances diferentes, mas que levaram à saída do presidente.
Mas tem uma situação na qual, com muita humildade, eu creio que possa opinar sim. A presença, por anos, em diretoria de clube de futebol, me deu lastro para estabelecer parâmetros de discussão quanto ao modelo de clube associativo.
Tal modelo vem de mais de século. Talvez, lá atrás, numa sociedade com valores diferentes e propósitos diferentes, com o futebol tendo ar de amadorismo e sem as mídias impulsionando informações (na maioria das vezes nocivas), esse poderia ser o sistema mais apropriado para a sobrevivência política, financeira e esportiva dos clubes.
Mas… estamos em 2026.
Há menos de uma década, não tínhamos SAFs, não tínhamos Ligas, não tínhamos streaming, não tínhamos oceanos de dinheiro à mesa de negociação ano pós ano.
E tanto a estrutura quanto a legislação das chamadas associações ficaram podres rapidamente. A forma pouco profissional (sendo gerida pelos chamados “abnegados”), a falta de responsabilização pelos atos que geram desajustes financeiros, a falta de atualização de métodos e processos, a falta de consciência fiscal e orçamentária e, por fim, a suscetibilidade do processo de decisão à adequação ao ambiente político, destroem o negócio, destroem o clube.
Não se está aqui dizendo que as SAFs são a única salvação ou que são perfeitas. Que as Ligas já dão novo horizonte cristalino para o produto futebol. Nada disso. Elas ainda têm muito por aprender e executar. Mas que são o caminho, ninguém pode duvidar.
Querer gerir muito dinheiro, ter muito poder num quadro associativo ligado a clube de futebol, é certeza absoluta de que interesses não “republicanos” são aflorados. Há quem consiga passar pela tentação incólume. Mas há pessoas e pessoas. E aí a ocasião pode favorecer…
Leia outras colunas do Glenn Stenger aqui.

