No mundo do vinho você encontra tudo o que é tipo de produtor. Grandes, médios, pequenos e de boutique. Tem produtor que fica apegado ao seu terroir, enquanto tem produtor que compra uvas de terceiros e parte para engarrafar. Cada um tem um estilo e é preciso respeitar cada tipo de vinicultor.
Existe uma “briga” entre produtores, já que cada um puxa a Sardinha para o seu lado. O pequeno e de boutique torce o nariz para quem produz em quantidade, esse tipo de produtor costuma agregar valor ao seu vinho com garrafas numeradas e pequenas safras. Já o médio e grande busca a produtividade, luta para ganhar mercado e fortalecer a sua marca de modo mais global. Não existe um certo ou um errado na minha opinião. No mundo do vinho, principalmente no Brasil, existe mercado para todo mundo.
Quando fui para Gramado depois da eliminação do Brasil da Copa do Mundo pensava em visitar as vinícolas mais conhecidas e premiadas e que ficavam um pouco longe. Chegando lá entendi que a missão seria quase impossível pela distância e resolvi explorar o que tinha próximo. Me deparei com a Vinícola Jolimont. Ela praticamente domina as lojinhas de vinho na cidade de Gramado. Pelo que pude ver tem apenas a loja da Família Calicchioni como concorrente, com certeza a melhor loja de vinhos da Serra Gaúcha.
Vinícola Jolimont
A vinícola fica na cidade de Canela, poucos minutos de carro de Gramado, e eles são uma máquina de produzir vinhos. Inicialmente a vinícola foi fundada em 1948 por um francês que se aposentou em 1984, e passou a propriedade para o senhor Ernani de Napole Velho que transformou o negócio em um império. Vinhos de todos os tipos e também de todos os preços. Tem vinho que custa mais de 2 mil reais a garrafa, tem vinho que foi recentemente premiado com a medalha de ouro em um evento em São Paulo e que sai por 950 reais a garrafa, e tem vinho de entrada muito barato e que foi elaborado para atender aqueles consumidores que estão iniciando no mundo dos vinhos de mesa, à partir de 79 reais.
Fiquei impressionado com alguns números. Mais de 1500 turistas por dia na alta temporada pagam ingresso apenas para conhecer a propriedade. São mais de 200 mil turistas por ano. As experiências começam em 110 reais para participar da pisa das uvas, 150 reais para relaxar e beber um vinho entre os parreirais, e 340 reais para experimentar os vinhos premiados.
A melhor parte é ficar em um dos pontos de degustação e mandar brasa nos vinhos. Conforme você vai experimentando e comprando o nível dos vinhos vai subindo. Você só pode comprar os vinhos deles no site ou nas lojas de Gramado. Dependendo do valor o frente é grátis. Experimentei o premiado Jolimont Intendente Safra 2018. Um blend das uvas Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat e Cabernet Franc, com 36 meses de passagem por barricas de carvalho francês e americano. Um vinho bastante aromático, muita fruta vermelha, tabaco e café, com um final longo e intenso com os seus 14,5% de teor alcoólico. Este vinho foi o premiado no concurso de São Paulo e por conta disso o seu preço hoje é de 950 reais a garrafa. Vale a visita, e se você comprar uma garrafa do Intendente me convide para tomar.


