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Inteligência ou deficiência artificial?

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Com efeito, a inteligência artificial (IA) é uma tecnologia que permite a computadores e máquinas imitarem habilidades humanas, como aprender, analisar e tomar decisões. Já está presente em nosso cotidiano, em assistentes virtuais, aplicativos de rotas e filtros de e-mails, e também em áreas complexas, como diagnósticos médicos, análise de dados e carros autônomos.

Diferente de softwares tradicionais, a IA aprende com a experiência e se adapta a novas informações. Alguns sistemas são projetados para tarefas específicas, enquanto outros buscam maior versatilidade. Apesar dos benefícios, suscita debates sobre privacidade, segurança, empregos e transparência. Talvez fosse mais adequado chamá-la de “Inteligência Adicional”, já que nasce do conhecimento humano — mas essa é outra reflexão.

Ainda assim, estamos em fase embrionária. É preciso reconhecer que assistentes virtuais rotulados como IA também erram, e não raro. Há casos em que inventam ou distorcem informações, como em pesquisas jurisprudenciais com precedentes inexistentes. O problema se agrava quando usuários não conferem a veracidade do conteúdo e simplesmente o replicam.

Exemplos não faltam. Recentemente, divulgou-se a conduta de um advogado que, em plena sustentação oral — ato solene e pessoal nos tribunais — pediu licença para ser substituído pela IA. Situações como essa podem transformar o usuário em um verdadeiro “deficiente artificial”. Não por acaso, o Tribunal de Justiça do Paraná puniu um advogado que apresentou 43 precedentes inexistentes, lembrando que “o advogado tem obrigação de, no mínimo, revisar as peças feitas com o uso dessas ferramentas. E a razão da obrigatoriedade dessa revisão é simples: o Poder Judiciário não está brincando de julgar recursos” (TJPR, 1ª CCiv, Autos n. 0002062-61.2025.8.16.0019, Rel. Des. Gamaliel Seme Scaff, j. 11.04.2025, v.u).

Portanto, embora a IA represente um marco comparável a invenções como a luz, a televisão e os celulares, ainda exige extrema cautela no uso. Caso contrário, o risco é de que, em vez de potencializar capacidades humanas, acabe por reduzi-las. E, nesse ponto, cabe lembrar Dostoiévski, que já no século XIX advertia: “o segredo da existência humana não está apenas em viver, mas também em saber para que se vive”.

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