
Um dos temas mais recorrentes no universo das empresas familiares é o ingresso dos sucessores na gestão dos negócios. Entende-se que o principal e mais conveniente critério para esse processo deve ser o da meritocracia.
A meritocracia envolve tanto aspectos técnicos quanto comportamentais e emocionais.
No campo técnico, recomenda-se que o aspirante a ingressar na empresa possua uma formação compatível com o ramo de atuação da família. Essa formação básica pode não ser necessariamente na área de negócios. Por exemplo, um profissional formado em saúde, engenharia ou nutrição pode perfeitamente integrar a empresa, desde que complemente sua formação com uma pós-graduação na área de gestão, como economia, administração ou ciências contábeis.
O segundo requisito importante é a experiência profissional, preferencialmente em empresas que atuem no mesmo segmento do negócio familiar.
O terceiro requisito refere-se ao nível de maturidade do sucessor, evidenciado pela capacidade de trabalhar em equipe, manter uma postura humilde, adotar uma atitude profissional e, acima de tudo, entregar resultados consistentes em sua área de atuação.
Por exemplo, se o familiar estiver atuando no setor financeiro, é essencial que demonstre boa capacidade de gestão econômico-financeira; se estiver na produção, deve alcançar bons índices de produtividade.
Além disso, é fundamental que o sucessor possua uma visão sistêmica da empresa, compreendendo o funcionamento dos quatro subsistemas da gestão: processos, capital humano, área administrativo-financeira e mercado. Também é importante ter noção sobre a remuneração do capital investido nos negócios da família.
Outro ponto essencial é o comprometimento com a formação continuada, seja por meio de cursos livres (com carga horária definida pela alta gestão, como um curso de 40 horas, por exemplo), seja pela participação em seminários, congressos ou outras experiências de aprendizado.
Cumprir rigorosamente esses requisitos é fundamental para evitar o nepotismo e fortalecer o profissionalismo, mesmo quando se trata de familiares com laços sanguíneos.

