Pular para o conteúdo
Hospitais

Hospitais

cirurgia hospitais ernani

O cirurgião avisa que o procedimento para extrair o órgão contaminado do meu corpo vai se dar no Hospital Marcelino Champagnat. Não me é estranho o hospital: em novembro passado o Dr. Carlos Saens arrumou ali a minha mão esquerda, então fora do prumo graças a uma queda de escada, como já relatei.

A grande lista de hospitais que me deixaram marcas incrustradas começa pelo Evangélico, onde meu tio João Fleury Rocha Jr. retirou meu apêndice inflamado, em vias de infectar os rins em que havia aderido, isso no tempo em que a imprensa chamava hospital de nosocômio.

Foram três dias internado em pleno carnaval. Ainda hoje tenho implicância com o samba Máscara Negra, sucesso daquele ano. Em algum local vizinho ao hospital, um sujeito se esbaldou cantando a tal melodia, enquanto eu gemia como cuíca.

No São Lucas fui todo costurado depois de um sério acidente de automóvel, resultado de um poste surgido no meio do caminho. Anos mais tarde, lá também retiraram um naco do meu ombro, onde havia se instalado uma melanose em formato de cabeça de cachorro, cuja única serventia era impressionar a garotada na praia com aquela “tatuagem” canina. Valeu, tio: tatoo massa!

Depois vieram outros hospitais. No São Vicente fiz cirurgia de desvio de septo, que seguiu entortado, como placa de trânsito indicando sucessão de curvas, uma espécie de caminho turístico perfeito para apneias.

No Hospital do Cajuru o cirurgião-mestre Ademir Schurof trocou minha falecida cabeça do fêmur esquerdo por uma prótese de cerâmica de alta qualidade, responsável por apitar em qualquer aeroporto e me deixar com cara de suspeito. E na Santa Casa fui submetido, contra a vontade, à irreversível vasectomia.

Já no INC, há quatro anos, o Dr. Francisco Diniz Affonso da Costa fez um serviço completo nas minhas coronárias, implantando mamária, safenas e uma válvula aórtica novinha em folha.

Pois bem, tudo sem contar clínicas onde fui engessado e suturado, ao longo dessas décadas de desacertos, acidentes, tropeções e maléficos efeitos da obsolescência do corpo.

Também não está no rol o Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, local de uma cirurgia para retirar pólipos das vias nasais, tão bem-sucedida que a cirurgiã cogitou levar meu nariz em forma de powerpoint para exibir em um congresso médico na Bélgica.

O nariz foi proibido de viajar sem o acompanhamento do dono, o que impediu este Frankenstein de se tornar um sucesso, dono de um apêndice nasal digno de figurar entre os recordistas das mídias digitais.

Sobre a cirurgia próxima, depois eu conto, como dizia o falecido Ibrahim Sued – que morreu e já não conta mais nada.

Imagem: gerada por IA

Leia outras colunas do Ernani Buchmann aqui.