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CATEGORIA ESTÁ NA BRONCA

Greve dos caminhoneiros ameaça paralisar o País e vira pesadelo político para Lula

auxilio-caminhoneiros

A possibilidade de uma nova paralisação nacional dos caminhoneiros voltou a assombrar o governo federal e acendeu um alerta máximo no Palácio do Planalto em pleno ano eleitoral. Impulsionado pela disparada do preço do diesel, o movimento ganha força em diversas regiões do país e pode provocar desabastecimento, inflação e um duro desgaste político para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Lideranças da categoria afirmam que a mobilização atual é mais estruturada e coordenada do que a greve que parou o Brasil em 2018. Representantes dos caminhoneiros sustentam que há insatisfação generalizada com o custo do combustível e com o descumprimento de políticas voltadas ao setor, incluindo o piso mínimo do frete. A ameaça inclui bloqueios de rodovias e paralisação ampla do transporte de cargas.

“Estamos muito mais organizados do que em 2018”, afirma o presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, em entrevista à BBC News Brasil.

O aumento recente do diesel, pressionado pela escalada internacional do petróleo em meio ao conflito no Oriente Médio, reduziu drasticamente a margem de lucro dos transportadores, especialmente dos autônomos. A categoria avalia que as medidas anunciadas até agora não foram suficientes para conter a alta nem para restaurar a viabilidade econômica da atividade.

Nos bastidores, a preocupação do governo é dupla. Além do impacto direto na economia, uma greve prolongada teria potencial para atingir rapidamente a vida cotidiana da população, com falta de combustíveis, alimentos e insumos básicos, cenário que historicamente se traduz em desgaste político imediato para o governo federal.

O episódio de 2018 é constantemente citado como referência pela própria categoria e por analistas. Naquele ano, o país enfrentou cerca de dez dias de bloqueios nas estradas, interrupções na produção industrial e colapso logístico em diversos setores. A crise enfraqueceu o governo federal da época e influenciou o ambiente eleitoral subsequente.

A mobilização atual, segundo dirigentes do setor, não tem caráter político-partidário declarado, mas decorre da pressão econômica provocada pelos custos operacionais. Ainda assim, a proximidade das eleições amplifica o peso político da ameaça. Uma paralisação nacional nesse contexto poderia afetar diretamente a popularidade do governo e alterar a percepção do eleitorado sobre a condução da economia.

Segundo o presidente da Abrava, os caminhoneiros decidiram cruzar os braços em assembleia realizada na segunda-feira (16) em Santos, com a presença de lideranças do Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Brasília. “Com esses altos preços de combustíveis, a categoria está pagando para trabalhar e não fecha a operação”, disse Landim à BBC. “Caminhoneiro sai de um Estado, chega no meio da viagem [com o diesel] a outro preço, chega no final da viagem, não tem nem recurso para voltar”, completou.

Diante do risco, o Planalto passou a anunciar medidas emergenciais, como reforço na fiscalização do cumprimento do piso do frete e propostas de redução de impostos sobre o diesel. O objetivo é evitar que o movimento ganhe adesão massiva e se transforme em uma greve efetiva.

Apesar das iniciativas, representantes dos caminhoneiros afirmam que a paciência da categoria está próxima do limite e que a paralisação permanece no radar caso não haja respostas concretas. Economistas alertam que, sem solução para a pressão sobre os combustíveis, a chance de uma interrupção com efeitos severos sobre a economia é considerada real.

Com o país altamente dependente do transporte rodoviário, qualquer bloqueio prolongado pode desencadear uma reação em cadeia na produção, no abastecimento e nos preços. Em um ano decisivo nas urnas, o temor no governo é que uma nova greve dos caminhoneiros se transforme não apenas em uma crise logística, mas em um terremoto político capaz de influenciar o resultado eleitoral.

(Imagem: greve de 2018/arquivo)

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