Já começo nossa conversa dando a minha opinião. Passei alguns anos no mundo do futebol e pessoas diziam que eu era contrário às TOs.
Mentira! Sou e sempre serei um entusiasta da festa que as mesmas proporcionam nas arquibancadas e do aspecto social que elas carregam consigo. Fazem parte do ecossistema do futebol e não devem nunca ser tiradas dele. Esse é o meu ponto de vista!
O que acontece é que futebol traz consigo visibilidade, paixão, dinheiro. Imersas nessas 3 situações, o propósito delas perdeu-se nas últimas décadas, foi distorcido.
Saíram do campo lúdico para o campo político. Hoje não são mais as agremiações que conhecíamos anteriormente, que juntavam pessoas que torciam para uma mesma equipe e que tinham por finalidade fazer com que o espetáculo ficasse mais bonito.
Falemos dos 3 pontos:
Visibilidade – em tempos de redes sociais, muitos querem aparecer, ser conhecido, ganhar likes. Aí pregam que são os defensores supremos das cores do clube e, por total desconhecimento do funcionamento do processo por parte do restante dos torcedores, conseguem a atenção de muita gente. Formam imagens comerciais e políticas através das figuras que esse modus operandi promove.
Paixão – tudo que é ligado à paixão e não à razão tem muito mais intensidade, muito mais energia. E futebol tem muito disso vinculado nele. Uma vitória leva ao êxtase e uma derrota à bancarrota. Uma má campanha rotula profissionais como péssimos e um título faz com que sejam tratados como heróis. Sempre é “8 ou 80”. Os extremos aparecem semana pós semana. E só a vitória sempre interessa. Não lembram que do outro lado também tem gente que está ali querendo ganhar. Essa montanha-russa de emoções é usada, também, para fazer com que as pessoas deem atenção ao que as TOs queiram dizer.
Dinheiro – a mola propulsora de tudo. As Torcidas nasceram em um ambiente totalmente não profissional. Eram apenas agremiações sem fins lucrativos que tinham um ideal, torcer pelo seu clube. Hoje, acredito que a totalidade delas seja um negócio, usando de sua boa capacidade de penetração junto ao público com que se comunica, para vender seus produtos e sua imagem. E, se são negócios, se geram receitas, consequentemente geram interesses.
E isso ajuda ou atrapalha as equipes? É benéfico ou maléfico? Normalmente atrapalha, normalmente é maléfico.
A geração de visibilidade de “líderes” que posam como os guardiões da moral e das cores dos pavilhões da equipe, deixa para trás características necessárias: preparo, conhecimento, experiência.
A paixão exacerbada faz com que se manipule a massa torcedora para o se quer vender como “imagem” do clube. Como sabemos, notícia ruim vende mais. Então, o que mais se tenta, é vincular o processo às suas características ruins, às que não estão rodando como deveriam. Criam-se narrativas, por vezes, não condizentes.
O dinheiro faz com que pessoas deixem suas atribuições padrões, fora do ambiente do futebol, para se dedicar apenas ao comércio que circunda as torcidas. Fazem dela seu ganha pão.
E por qual motivo escrevi sobre tudo isso? Filosofia ou pensamentos subjetivos? Não!
Semana passada vi (assim como todos nós que gostamos de futebol), o Palmeiras buscar uma virada antológica.
Virada regida pelo seu “maestro”, o técnico Abel.
Exatos 70 dias antes, a TO do Palmeiras, que possui todas as características que falamos, forçava a saída dele do clube. Ele não “rezava a cartilha” da TO. Não atendia aos interesses deles. Pouco mais de ano atrás, a mandatária (Leila) teve seus estabelecimentos comerciais pichados por vândalos. Vândalos que faziam parte da TO e com os quais ela estabeleceu uma “guerra” de poder. Isso tudo depois de 10 títulos gigantes conquistados em 5 anos dessa dupla (Leila e Abel) à frente do clube.
A TO, através da visibilidade de figuras que não possuem a tarimba necessária, a paixão usada de forma adequada à interesses difusos e os interesses comerciais de terceiros, tentou atrapalhar o projeto que o Palmeiras tinha. Até, talvez, fomentados pela própria oposição política do clube (não afirmo pois não tenho como comprovar, mas acredito).
Para o bem dos palmeirenses (e eu não sou um deles), a razão prevaleceu. O técnico ficou, foi mantido. E a final da Copa Libertadores foi alcançada de forma épica, apesar dos esforços de sua própria TO em atrapalhar o processo.
Já pararam para pensar o volume de dinheiro que o clube poderia ter jogado fora? Vai ganhar? Será campeão? Impossível cravar. Do outro lado tem gente muito competente que quer o mesmo “caneco”. Mas o Palmeiras já ganhou quando conseguiu fazer com que interesses nem sempre “republicanos” não fossem colocados à frente dos interesses maiores da própria instituição.
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