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GLENN STENGER CABECA hojesc

Pílulas ácidas de nosso futebol!

Pílula 1 – A CBF e a convocação da seleção brasileira

Já falamos muitas vezes que a CBF tem cofres abarrotados de dinheiro. Patrocínios, seleção, royalties. São muitas as fontes de obtenção de recursos que fazem dela “o Brasil que deu certo”, segundo o “filósofo” Carlos Alberto Parreira.
Mas, ter dinheiro em caixa não foi sinônimo de inteligência e boa utilização. Pelo contrário. A CBF se superou…
Milhões de brasileiros esperavam apenas e tão somente a convocação dos nossos representantes. Jogadores que defenderão nossas cores no evento de entretenimento mais rentável do planeta. Afloravam os sentimentos de orgulho e pertencimento. Curiosidade nas alturas.

E o que se viu foi um espetáculo dantesco, cafona, brega, despropositado, infantil e inócuo. Um verdadeiro show de baboseiras que ninguém, absolutamente ninguém, queria ver ou presenciar. Constrangeu até o único cidadão que todos queriam ouvir, que era o técnico italiano responsável pela divulgação da lista.

Quem quiser fazer um comparativo e entender como se une bom gosto, sensatez, cultura local e assertividade, busque na internet as apresentações dos selecionados da Inglaterra e de Senegal.

Pílula 2 – Eric Faria e a defesa do óbvio

Eric foi repórter de campo por muito tempo. Recentemente foi retirado da função e alçado para o cargo de comentarista da tão poderosa Rede Globo.

Contudo, foi em seu perfil particular numa rede social, que ele veio falar sobre situação tão óbvia e ululante que não precisaria ser dita, se estivéssemos vivendo tempos normais no jornalismo esportivo.
Ele afirma que se esqueceu que o mote principal, que a essência, que o cerne do jornalismo é a notícia e não o cidadão que a repassa.

São dezenas de jornalistas querendo aparecer mais que a própria notícia, brigando e duelando entre si. Sabem o motivo? O que é que dá dinheiro? O salário que eles ganham de seus veículos ou a exposição que eles conseguem ter nas suas próprias redes? Muitos deles sobrevivem às custas de sua exposição particular.

Por isso é que esse conceito de jornalismo, que esquece a notícia e foca no repórter, está sendo fomentado. Pura busca por likes e views. Deixaram de lado a forma profissional de gerir suas carreiras, mostrando competência e profissionalismo e assim chegando à patamares maiores, para provocar tumulto e gerar “conteúdo” para si próprios.

Não é à toa que vemos repórteres divulgando bets, restaurantes, frigoríficos, construtoras. São personagens que as redes deixam em evidência, e que ganham seu dinheiro com suas imagens ao invés de focar no ponto principal de sua profissão, que é divulgar a notícia de forma imparcial, nua e crua.

Parabéns ao Eric pela coragem em se posicionar.

Pílula 3 – Juca Kfouri e o reflexo da perda de credibilidade

Juca tem décadas de jornalismo esportivo. Apesar da experiência notória e indiscutível, não compartilho de sua linha de pensamento, tanto no jornalismo quanto na condução de sua vida pessoal. Somos antagônicos.

Mas isso não faz com que eu não concorde com o posicionamento dele, contrário à inserção da influencer Virginia Fonseca como repórter da Globo na copa.

Ela sequer é jornalista, não possui perfil e nem conhecimento técnico para estar lá. Ele fala que é esculhambação. Eu digo que é o fruto plantado pelos próprios jornalistas esportivos. Ora, se todos estão preocupados em fazer “merchan” ganhou quem sabe fazer melhor.

Não era ela que deveria estar lá. Ele tem razão. Mas falamos todas as semanas que o mundo mudou. Que likes e views são fundamentais para o sucesso do evento. Que patrocinadores não estão nem aí para o resultado esportivo de A ou B. Estão querendo que o resultado seja o melhor para o bolso deles, e só!

A loira famosa apenas viu a brecha. Deixou centenas de repórteres brasileiros para trás. Eles quiseram entrar num jogo que ela conhece e joga melhor que qualquer um…

As pílulas são ácidas! O remédio é amargo. Mas, se não for tomado, os problemas só vão crescer. Parabéns aos envolvidos!

Leia outras colunas do Glenn Stenger aqui.