Voltamos!
Breve intervalo (necessário e curto) para voltar a fazer com que as ideias fiquem ajustadas.
Mesmo sem escrever, impossível ficar à margem do mundo. Informações chegam em grande quantidade. Várias úteis, várias inúteis, várias verídicas, várias despropositadas e várias narrativas.
Impressiona como, no nosso mundinho atual, é fácil plantar as narrativas nas cabeças das pessoas e, mais que plantá-las, ter a certeza absoluta que os ouvintes aceitarão tudo que lhes é despejado. Análise crítica hoje é quase zero. É muito fácil manipular a forma com que pessoas pensam.
E isso vale demais para o nosso joguinho de bola, também chamado de futebol…
Sempre com algum viés, informações e opiniões são jogadas ao vento, sem qualquer constatação fática, sem qualquer análise técnica, sem qualquer presunção de verdade ao menos. E os consumidores do produto futebol, inundados por uma relação de ódio e amor que não consegue se aliar à razão, criam a partir das informações e opiniões, narrativas sem base.
Esse fim/começo de ano foi pródigo. Não vou opinar. Não quero corroer ninguém com minha forma de pensar e ver as coisas. Mas vou citar algumas narrativas que foram criadas.
– Presidente do Flamengo falando a respeito do modelo comercial/financeiro do futebol feminino.
– Fala mentirosa atribuída, de maneira pejorativa, ao dono da SAF do Cruzeiro (Pedrinho), citando que seu rebanho de gado compraria o Flamengo com alguma sobra.
– Corinthians citando que o ano foi bom ao final. Mesmo estando com um transfer ban para resolver e com sua dívida aumentada estratosfericamente.
– Botafogo, tão elogiado por títulos que conquistou, também envolto em resolução de transfer ban e, até pior, total turbulência gerada pela falta de clareza do cidadão que adquiriu a SAF.
Podemos citar mais uma dezena de casos. E, em todos, são criadas as tais narrativas. Quem gosta de um lado fala das coisas boas; quem gosta do outro lado só cita coisas ruins.
Vamos navegando nesse mar de brasileirices bizarras. Perdendo dinheiro no business, e acreditando no que influencers, jornalistas e outras figuras que estão no meio do futebol dizem.
Mas onde está a tecnicidade das informações, quais são os dados que ampararam tais discursos e afirmações, quais os CPFs que estão garantindo que aquilo que está sendo propagado é fruto de estudo e de constatações e não de “diz que me disse”??
O brasileiro não se esforça para buscar entender. Prefere comer o que já lhe mandam mastigado. E aí os espertalhões, criadores de narrativas, deitam e rolam. Fazem o que é melhor para eles, para os interesses deles, para os bolsos deles.
Não é à toa que a Premier League tem todo o amparo comercial e financeiro que sabemos. No Reino Unido as pessoas pensam com a cabeça e não com o fígado! Razão está à frente de qualquer decisão.
Menos narrativas. Menos blá blá blá. Mais profissionalismo. O público de nosso país, consumidor de futebol, tem que se qualificar mais. O futebol brasileiro pede por isso!
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