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GLENN STENGER CABECA hojesc

Hipocrisia, safadeza, torpeza ou tudo isso junto?

Semana pós semana falamos aqui sobre dinheiro e futebol. Hoje, peço permissão para falar sobre conceitos de ética, responsabilidade sobre seus próprios atos e palavras, honradez.

Amo futebol. Adoro todo o “entorno” do esporte. O business me encanta.

Mas a sociedade está apodrecida. E as características desse apodrecimento, infelizmente, são levadas para dentro dos muros dos clubes (principalmente os que ainda insistem no modelo associativo).

Os cidadãos (torcedores que não são a totalidade e sim a minoria, mas são os que geram as notícias ruins que a imprensa adora dar ênfase), saem de suas casas para “aprontar” ou usam o recurso das redes sociais para destruir imagens e pessoas.

São hipócritas na medida em que cobram exatamente aquilo que não praticam, safados pois usam esses métodos para se autopromover e também torpes pois se aproveitam da situação para obter benefícios pessoais.

Acham correto o “jeitinho brasileiro”. Fazer a coisa errada é bacana. Ferrar com a vida do outro é uma atitude “legal”! Normalmente todas as ações que praticam são exatamente aquelas que não gostariam que fossem praticadas contra eles.

Desnecessário falar que um campeonato só tem um ganhador, que todas as outras equipes não terão o primeiro lugar no pódio. Desnecessário falar que nenhum dirigente quer que seu time vá mal, nenhum deles trabalha para isso. Pelo contrário, sabem de sua exposição pessoal e tentam fazer o seu melhor.

E aí trago a análise para dentro dos clubes de futebol. Já adianto que não tenho procuração para defender nenhuma das pessoas que citarei. Conheço pessoalmente todos, mas não sou amigo próximo de nenhum. Tenho o deve moral de expor o que penso, pois sei o quanto estão sendo atingidos.

Marcelo Paz – CEO do Fortaleza e líder da Liga Forte União. 8 anos atrás tirou o Fortaleza da série C e o trouxe aos holofotes do cenário nacional.

Julio Heerdt – presidente do Avaí. Mestre em administração. Pessoa de fino trato. Dirige um clube que não tem acesso a fontes de recurso como os principais clubes possuem.

Alessandro Barcellos – presidente do Internacional. Desde sempre um “operário” do Inter. Enfrenta disputas políticas internas insanas que fazem com que o clube nunca tenha estabilidade. Ambiente político em constante ebulição.

Yuri Romão – presidente do Sport. Enfrenta um turbilhão político dentro do clube. São inúmeros vices que dão “pitaco” em todos os assuntos. Tem um clube social agregado, que toma recursos e capacidade de investimento.

Mario Petraglia – não compactuo com muitos de seus atos. Sua forma de agir diverge dos meus conceitos. Mas é inegável o legado patrimonial e de títulos que deixou para o Atlético.

O que esses 5 dirigentes têm em comum? Estão tendo suas vidas podadas, seus nomes jogados no chão, sua honradez sendo questionada. Sofrem pressão absurda por parte de uma massa (manobrada por interesses) que torna a vida deles um verdadeiro “Inferno de Dante”. Tudo por conta do momento esportivo pelo qual seus clubes estão passando.

Se são ou não remunerados, não sei. E nem é esse o ponto. Ninguém pode ter o direito de prejudicar a vida de outrem sob o pretexto de ser o “guardião das cores do time de coração”.

Esses dirigentes estão lá para defender os interesses de seus clubes. Erram e acertam. Mas não podem ser escrachados, escorraçados, apedrejados como estão sendo. Há uma série de fatores que levam um time de futebol a não performar bem.

Obviamente que são também responsáveis pois, em algum momento, desejaram estar ali, desejaram chegar ao cargo máximo do clube que amam. Tem poder (maior ou menor) de decisão. Mas não são os únicos.

E nem são maus elementos, incapazes, incompetentes só por conta de baixo desempenho de sua equipe. Ainda mais quando a régua de medição dessas pessoas é a que é usada por pessoas sem caráter, que despejam o ódio e as frustrações que trazem dentro de si, no ambiente do futebol. A avassaladora maioria dessas pessoas, quando chamadas à responsabilidade, não a enfrentam pois é mais fácil vociferar, “vomitar” ódio e desrespeito do que se propor a ajudar.

Meu voto de respeito e consideração para com esses dirigentes. E também para os próximos que em breve (tão logo suas equipes não tenham desempenho), terão suas imagens arranhadas, feridas.

Infelizmente no Brasil, país admirável, mas dominado por uma cultura asquerosa, RESPEITO e CIVILIDADE não podem ser exigidos de seus cidadãos. O modo que as pessoas tratam os dirigentes dos clubes é o espelho de uma sociedade doente!

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