Sabem o que é NFL? NFL é o acrônimo de National Football League. Abrasileirando, seria a liga de futebol americano. Esporte que é predominantemente jogado nos EUA e que, estranhamente, a bola não é tocada só com os pés. O jogo se desenvolve em passes, lançamentos e recepções feitas com a mão e não com o pé.
Tá, e daí? O que é que isso tem a ver com o nosso futebol, o esporte que é sim praticado com os pés e que tem alcance mundial, que é visto, jogado, aplaudido, comentado em qualquer parte do planeta?
A resposta é direta: financeiramente, organizacionalmente, comercialmente, muito. A NFL é exemplo a ser seguido, copiado e expandido.
Mas por quais motivos?
O formato populista, político e “tacanho” que nosso futebol é vendido, faz escorrer pelos dedos milhões a cada ano. A falta de propósitos definidos, de administração própria e inteligente (dirigente com mandato não pode mais existir), de comercialização eficaz e de montagem de calendários comercialmente apropriados, faz com que o produto não obtenha as receitas que tem potencial para obter.
Farei algumas citações do que ocorre por lá, que faz sucesso e tem sentido.
– Calendário definido com meses de antecedência. Todas as receitas provenientes da comercialização de direitos de transmissão e de entrada de público no estádio podem ser previstas, geradas e recebidas antes do início do torneio.
– Não há nenhuma equipe que se submeta a ter mudança em sua administração devido à fatores políticos (dirigentes eleitos). Ou elas têm proprietários ou tem conselhos que as administram.
– Não há rebaixamento. As equipes sempre serão as mesmas. É absurdo que equipes que fomentem o negócio estejam sujeitas a não poderem disputar o campeonato seguinte, fazendo com que o valor do produto, como um todo, caia.
– Playoffs. Modelo mais inteligente comercialmente. Literalmente o País para quando há embate de equipes decidindo vagas naquele jogo, naquele dia, naquele momento. E aí os intervalos comerciais são absurdamente mais valorizados. Além do aspecto comercial, também faz com que equipes de menor investimento possam disputar eventuais passagem de fase. Isso não acontece em campeonatos de pontos corridos.
– Grade adequada. Os jogos acontecem nos horários em que os americanos estão livres de trabalho e passíveis de estarem defronte à TV.
– Disputas iniciais (pré playoffs) regionalizadas. Equipes que possuem rivalidade histórica se enfrentam continuamente, aumentando o “sabor” daquele jogo cada vez que há o embate.
– Venda de experiência. O jogo é a cereja do bolo. Mas o dia em que ele acontece é um dia de evento. Inúmeras atividades circundam o estádio, aumentando absurdamente o faturamento com situações e produtos que são comprados por impulso. Quem está lá, consome.
– Comercialização em bloco. A venda dos direitos de comerciais e de propriedade (que são os de maior valor) são feitos pela Liga e não pelas equipes. Isso dá muita força ao processo.
No ano de 2024, as equipes tiveram faturamento médio de U$433 milhões. Isso na média, pois os faturamentos das equipes grandes foi extremamente superior. Contemos nos dedos quantas equipes de nosso futebol faturaram algo parecido. Se convertermos de dólar para real, nenhuma.
Utopia? Não! Organização, planejamento e visão séria de negócio. Estamos ainda bem distantes desse horizonte, mas passos iniciais precisam ser dados. A unificação das duas ligas que hoje operam o futebol brasileiro é o primeiro e mais importante deles.
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