Todos os dados financeiros dos clubes são facilmente detectados. Balanços contábeis e demais instrumentos são públicos. Isso tira a “sombra” que outrora existia sobre o que cada agremiação devia.
E, nessa semana que passou, vários veículos usaram o assunto para conseguir mais cliques e visualizações. Mostraram, de forma isolada, a dívida dos clubes sem mostrar o contexto, sem mostrar o que envolve tais números. Se eles “assustam” ou não!
Então vamos aqui, de forma suscinta, tentar mostrar se a alavancagem financeira desses times tem ou não que gerar dores de cabeça para os seus torcedores.
Vasco deve cerca de 1,1bi. Não vejo preocupação momentânea. Viria meses atrás, agora não mais. A SAF está muito bem encaminhada e o enteado da Leila (que será o proprietário) sabe exatamente como gerir essa situação.
Santos deve cerca de 1,23bi. Vou na mesma linha de pensamento. O grupo liderado pelo pai do Neymar já está embutindo dinheiro lá, com a certeza da formalização da SAF em breve. Jogadores caros chegaram e nunca chegariam se já não houvesse uma engenharia financeira sendo executada, mesmo que ainda não divulgada e aprovada.
Flamengo deve cerca de 1,26bi. Não entrei na dinâmica financeira do clube para análise mais profunda. Mas tenho convicção que é “dinheiro pequeno”. Alavancagem necessária para cumprimento de obrigações, mas totalmente dentro de fluxo de caixa projetado.
Internacional deve cerca de 1,27bi. Aqui a coisa muda de figura. Vários “sinais de fumaça” mostram os problemas de inadimplência plena e de atrasos. E, se levarmos em consideração o faturamento do time, entendo que a situação financeira é sim caótica.
Cruzeiro deve cerca de 1,36bi. Quando o bilionário Pedrinho, dono da maior rede supermercadista de MG entrou nesse negócio, sabia o que iria enfrentar. Compromissos estão em dia e acredito, mesmo não tendo acesso ao dia a dia, que o fluxo financeiro está equalizado.
Palmeiras deve cerca de 1,58bi. Nem vou me alongar. Análise idêntica à do Flamengo.
Botafogo deve cerca de 2,01bi. Aqui é para se preocupar. O proprietário da SAF está incluso em diversas situações contratuais de difícil compreensão no Brasil e fora. Compromissos já deixaram de ser honrados. Fluxo de recebimentos não se adequa ao tamanho do endividamento. Aqui pode-se ter um “buraco negro” sem solução.
São Paulo deve cerca de 2,45bi. Aqui também a preocupação é latente. Fruto dos problemas causados principalmente pela estrutura “pré-histórica” do modelo associativo. O clube possui receita e ativos, mas não possui fluxo de caixa para combater o endividamento crescente. É um clube em que muitos investidores internacionais de peso teriam um olhar diferenciado acaso quisesse se transformar em SAF. Só não sei se esse caminho já está traçado internamente. Se não estiver, anos pesados virão pela frente.
Atlético Mineiro deve cerca de 2,66bi. 3 empresários de muito renome gerenciam o Galo. Construíram o essencial para uma equipe que é um estádio. No endividamento (esse eu tive acesso) constam valores tanto do estádio quanto de repasses dos próprios mecenas. Na verdade, o clube é uma SAF de fato, mas ainda não de direito. Apesar do alto valor de sua dívida, por ora, não creio que maiores preocupações devam ocorrer.
Corinthians deve cerca de 2,76bi. Tecnicamente falido. Politica interna corrosiva. Modelo financeiro administrativo a não ser seguido por ninguém. Sobrevive por conta do alto volume de receita que entra, sem honrar todo um passado de dívidas. Infelizmente é uma cópia diminuta do modelo brasileiro de administração pública. Certamente terá sobrevida por conta de algum benefício, isenção ou perdão. Totalmente imoral, mas, repetindo, espelhando o modelo de nosso país.
Essa não é uma análise técnica, econômica ou financeira. É uma análise pessoal que dista os números do contexto atual que as agremiações estão inseridas. O número é frio. O cenário contextualizado mostra se os números condizem ou não com a realidade de cada instituição.
Imagem: gerada por IA
Leia outras colunas do Glenn Stenger aqui.


