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Futebol feminino sob o aspecto comercial

Futebol feminino sob o aspecto comercial

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Confesso que relutei muito em escrever sobre o tema. Hoje em dia, escrever qualquer coisa nesse sentido, e sobre esse tema, já rotula alguém com vários adjetivos ruins.
Por isso, vou fazer uma análise o quanto mais próxima da tecnicidade dos números, saindo do espectro opinativo.

Um homem normal possui cerca de 20 a 35% a mais de força nos membros inferiores. Os membros utilizados para se jogar futebol. Por si só já fazem com que se tenha uma dinâmica diferente no esporte. A velocidade também é outro fator de impacto. O homem é, em média, 15% mais veloz que a mulher.

Isso faz com que mulher não possa ou não deva jogar? Obviamente que não. O que deve ser feito é uma adequação das regras e, principalmente, das dimensões de campo, para que o esporte seja disputado por elas. Aí o jogo teria uma fluidez que seria mais compatível com a natureza física de cada atleta.

Outra situação é o aspecto comercial. Não se pode ser hipócrita e pedir para que os valores sejam parelhos. O esporte feminino ainda não gera receitas para isso. Pesquisei aqui e o dado que me é enviado é que a maior transferência da história de uma atleta (Grace Geyoro), gerou cerca de R$10 milhões. No Brasil, foi de atleta com nome Kerolin que girou algo em torno de R$7 milhões. Impossível comparar com o futebol masculino.

Permito-me citar o milagre e não o santo, mas, quando orbitava pelos corredores da CBF, ouvi de cartola poderoso que o objetivo principal do futebol feminino era preencher espaço em grade de programação. E de maneira bem mais barata que o mesmo esporte disputado pelos homens.

Na final do campeonato brasileiro disputado agora, no último final de semana, duelaram São Paulo e Corinthians. O pico de audiência foi de 11 pontos. Cada ponto equivale a aproximadamente 200 mil pessoas assistindo.

Parece um número bom, não é mesmo? Mas não é! Esse número foi registrado apenas na Capital do estado e na região metropolitana. E, ainda assim, muito impulsionado pela rivalidade entre os clubes e não pelo jogo em si. Os números de audiência, quando retirados dessa região, caem de maneira absurda. Em alguns rincões do País beiram a zero.

Já o estádio registrou recorde de público. 49.405 pessoas. Também parece muito bom. Mas não é bem assim. O ticket médio dos ingressos foi de R$16,64 por espectador apenas. Sem contar o número expressivo de ingressos oferecidos, gratuitamente, pelo São Paulo para que sua torcida “empurrasse” as jogadoras na busca pelo título.

Vem uma Copa do Mundo feminina aí. Será no Brasil, no ano que vem. Serão 32 seleções. Não vamos fazer juízo de valor, por enquanto. Deixemos acontecer. Aí analisaremos novamente.

Mais uma vez peço: não nos encham de adjetivos ruins. Não temos preconceito nenhum quanto ao jogo. Mulheres podem e devem jogar futebol. O que entendemos é que a modalidade deva ser alterada para que se dê condições de competitividade mais adequadas. Que possa ser mais atraente para todos, atletas, público, patrocinadores.

Por vezes, a melhor forma de se estabelecer igualdade é tratar situações parecidas de forma diferente. Igualdade é uma coisa, equidade é outra!

Imagem: gerada por IA

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