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ATLAS DA VIOLÊNCIA

Florianópolis é a capital com menor índice de assassinatos do Brasil; veja lista

Florianópolis

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O Atlas da Violência, estudo realizado anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), divulgado nesta terça-feira, 26, apontou que o Brasil registrou 42.590 homicídios em 2024, o equivalente a uma queda de 6,9% em relação ao ano anterior.

As capitais com os menores índices de assassinatos para cada 100 mil habitantes são Florianópolis (9,7), Brasília (10,9), Curitiba (13,2) e Goiânia (14,7). Na quarta posição aparece São Paulo (15,3).

Capital Variação 2023-2024 Taxa em 2023 Taxa em 2024
Salvador -11,10% 59,3 52,7
Maceió 0,90% 45,5 45,9
Macapá -32,40% 67,5 45,6
Recife 7,10% 42,5 45,5
Fortaleza 26,00% 33,5 42,2
Manaus -1,40% 42,0 41,4
Porto Velho -2,80% 39,7 38,6
Rio Branco 7,90% 34,1 36,8
Belém 15,90% 31,3 36,3
Aracaju -7,00% 36,2 33,6
São Luís 7,20% 31,1 33,4
Natal 8,90% 29,9 32,6
João Pessoa 7,70% 29,4 31,7
Teresina 9,30% 28,8 31,5
Boa Vista -16,80% 37,3 31,0
Rio de Janeiro 0,00% 28,0 28,0
Cuiabá 4,10% 26,7 27,8
Palmas 17,90% 22,9 27,0
Vitória 11,70% 23,6 26,4
Goiânia 7,50% 24,5 26,3
Porto Alegre 6,50% 23,8 25,3
Curitiba 9,60% 22,6 24,8
Belo Horizonte 1,60% 23,7 24,1
Campo Grande 7,20% 21,8 23,4
Brasília 8,80% 19,3 21,0
São Paulo 6,20% 12,7 13,5
Florianópolis -17,70% 13,0 10,7
Porto Alegre 6,50% 23,8 25,3

Redução nas mortes violentas

Em linhas gerais, o Atlas mostra que a melhora nacional nos assassinatos foi “relativamente disseminada”. Entre as taxas estaduais, apenas Maranhão (7,6%) e Ceará (5,2%) apresentaram aumento entre 2023 e 2024, enquanto não houve oscilação em São Paulo. De resto, todas as outras unidades federativas tiveram redução nas mortes violentas.

A pesquisa indica que as quedas mais intensas ocorreram no Amapá (-30,0%), Tocantins (-26,7%), Sergipe (-24,8%) e Roraima (-22,8%). No caso do número absoluto de homicídios, as maiores diminuições foram no Rio de Janeiro, com menos 772 casos, na Bahia, com menos 555, e no Rio Grande do Sul, com redução de 280.

As ocorrências, ainda assim, não alteram de forma drástica o retrato dos homicídios no Brasil. Marcados pela consolidação de facções como Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) nos últimos anos, Norte e Nordeste seguem concentrando as maiores taxas de homicídios do País – Salvador, inclusive, é a única capital entre as 20 cidades com 100 mil habitantes ou mais com as maiores taxas de homicídio.

Conforme o Atlas, praticamente dois terços das unidades federativas (18) apresentaram taxa de homicídios acima da média nacional. Amapá (45,7), Bahia (40,9), Pernambuco (37,3) e Alagoas (35,9) têm os maiores indicadores.

São Paulo, por outro lado, teve o menor índice (6,6), seguido por Santa Catarina (8,1), Distrito Federal (10,3) e Minas Gerais (12,8).

“A análise dos últimos cinco anos revela um quadro mais contrastado. Enquanto o Brasil reduziu sua taxa em 8,6% entre 2019 e 2024, algumas Unidades Federativas experimentaram recrudescimento da violência letal”, diz o estudo.

Os principais aumentos foram no Ceará (+28,0%), Maranhão (+25,9%) e Piauí (+20,5%). Já os Estados com os maiores recuos foram Acre (-47,9%), Sergipe (-47,0%), Goiás (-43,0%).

Os pesquisadores destacam que, ainda que o Brasil tenha chegado ao menor patamar desde 1998 – embora o estudo só compile dados de 2014 em diante –, a redução recente não foi homogênea e segue em patamar elevado, especialmente no Norte e no Nordeste. Outro ponto considerado sensível pelos pesquisadores é o que definem como uma piora da qualidade dos dados da saúde.

Como pesquisadores buscam driblar a limitação dos dados

O Atlas da Violência, lançado há uma década, tem o objetivo de retratar a violência no Brasil principalmente a partir dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) e do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), do Ministério da Saúde.

É uma metodologia diferente da utilizada em outras publicações de relevância, como o Anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), que já tabulou os dados de homicídios de 2024, mas que, para tal, se baseou nos dados das forças policiais.

“Ter essas duas bases de dados (da saúde e da polícia) boas, com qualidade, é fundamental para a gente fazer um bom diagnóstico, para fazer políticas efetivas”, diz Daniel Cerqueira, pesquisador do Ipea e coordenador do Atlas da Violência.

Foto: Divulgação

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