
Senador e pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é patético. Foi aos EUA em busca de apoio de Trump e trouxe um tarifaço na sacola. O mesmo tarifaço que o presidente norte-americano havia criado e enterrado em um espaço pífio de seis meses.
Com a nova ameaça, o octogenário Lula está pronto para nadar de braçada nas eleições. Vem aí o mandato 4 como nunca antes na história.
Chamuscado e com a candidatura em risco, Flávio, o zero-1, repetiu o que, antes, Eduardo, o zero-3, fizera no ano passado. O exercício de estultice incorrigível, que não causa admiração porque tal pai, tal filhos, entrega uma vitória de primeiro turno a um partido que cumpre agora o seu projeto de reinar por vinte anos. São cinco mandatos, se contados o 1 e meio de Dilma Rousseff.
Pobre do país que não arredará dessa desastrosa polarização. Quando se olha muito para o abismo da insensatez, esse abismo acaba olhando para você.
O consolo é que, aos poucos, a família Bolsonaro dizima a si mesmo. Esse é o nível da mediocridade que nos assombra. Estaremos à esquerda, nos próximos anos, perfilados com Venezuela, Cuba e Nicarágua, segundo Marco Rubio, secretário de estado dos EUA, outra anta de tênis.
Tariflávio
Os marqueteiros do PT lambem os beiços para emplacar o ‘Tariflávio’, uma criação algo sem graça, mas que se afina com o perfil desse canhestro sucessor do clã Bolsonaro cujas aspirações podem e devem naufragar de véspera.
A tática para escapar das ligações suspeitíssimas com o banqueiro preso Daniel Vorcaro foi uma das mais esdrúxulas já vistas. Bolsonaro, o filho, foi aos EUA empunhando uma bandeira de segurança pública e, por tabela, de guerra às facções criminosas. Não fez uma coisa nem outra. Trump pregou ao país um carimbo de corrupto e reiniciou a disputa do pix. Os efeitos vão durar tempo suficiente para que o pleito presidencial no país tenha um desfecho.
Flávio poderia aprender alguma coisa com Neymar. O jogador, machucado, sem perspectiva de jogar na Copa do Mundo, foi ovacionado pela torcida no último domingo, mesmo deixando claro, em embaixadinha improvisada no meio-campo, que mal se sustenta nas pernas. Mas é o rei da bola, é o rei da seleção e, mais importante, é o rei dos patrocinadores.
A foto que a CBF, convenientemente, fez circular, mostra os jogadores da seleção brasileira rumando aos EUA (onde mais?) em aeronave de luxo com todos os mimos que o dinheiro pode oferecer. Ao centro está Neymar, confortavelmente abancado.
Midas do avesso
Os demais se esforçam para aparecer no quadro. Pescoços esticados, pendurados nos assentos, inclinados a meio corpo. É o séquito do atleta de impressionantes quatro participações em torneios mundiais, a contar o que está prestes a se iniciar. Nenhum deles com desempenho digno de nota. Lembremos que, em 2022, na disputa por pênaltis com a Croácia, que viria a eliminar a seleção brasileira nas quartas, Neymar refugou. Ele, o batedor oficial, não bateu a primeira penalidade, quando essa é sempre a tarefa do craque e capitão do time. A eliminação, entretanto, não arranhou o verniz do jogador.
Ele está de volta. Com uma perna só. Com a panturrilha em frangalhos. Jogando 10% do futebol que nunca jogou na seleção brasileira e, ainda assim, adorado por seu entorno e, como se viu, pela torcida mesmerizada.
Flávio Bolsonaro é um midas do avesso. Seus parças são Valdemar Costa Neto, Deltan Dalagnol e Sérgio Moro. Seus planos não vão além de uma loja de chocolates no shopping que lucra valores exorbitantes. Definitivamente ele não é o Sr. Wonka. Mesmo com os números robustos nas pesquisas – que, lembremos, são apenas o registro do momento e esse momento está definhando –, a tendência é que sua candidatura chegue tão desidratada em outubro desse ano que ele só conseguirá fazer frente ao Cabo Dacíolo no Z-4 dos presidenciáveis. Nesse cenário, ao menos, o rei Neymar se igualará a ele. O Santos, onde o craque é o dono, vai pelo mesmo caminho. É nessa perspectiva, aliás, talvez a única, que o futebol de um e a política de outro se encontram. Para baixo e além.
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