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MANOEL KNOPFHOLZ CABECA HOJESC

Ferramentas técnicas para a gestão de empresas familiares (parte 2)

Dando continuidade ao tema abordado no artigo anterior, vamos tratar hoje de outras ferramentas essenciais que os herdeiros precisam dominar no processo de sucessão da gestão: os indicadores. Independentemente do papel que desempenham — sejam herdeiros societários, jurídicos, sucessores diretos, membros do conselho de administração ou participantes da assembleia de sócios —, é impossível atuar de forma eficaz em uma família empresária sem compreender os indicadores que traduzem tanto a saúde do negócio quanto a qualidade da gestão.

O primeiro e talvez mais relevante indicador é o valuation, que, em termos simples, representa o valor da empresa. Embora haja critérios técnicos específicos para calcular esse valor, não entraremos neles aqui. O objetivo deste artigo é destacar a importância de que todos os envolvidos em uma empresa familiar entendam quanto vale o negócio — não apenas a gestão, mas a empresa como um todo. Esse conhecimento é fundamental para garantir participação ativa e respeito dentro da estrutura de governança.

Compreender o valuation leva ao segundo indicador: a remuneração do capital. O herdeiro precisa avaliar se o capital herdado — seja na forma de cotas ou ações — está sendo remunerado adequadamente sob a ótica da gestão de ativos. Em outras palavras: “O retorno que recebo sobre o meu investimento está compatível com o potencial da empresa?” Essa análise ajuda a entender se o negócio está, de fato, criando valor para os sócios.

Outro ponto crucial surge quando o herdeiro participa de reuniões de governança: é preciso distinguir entre lucro operacional — representado pelo EBITDA — e lucro líquido, que aparece na última linha da DRE (Demonstração do Resultado do Exercício). É fundamental compreender como cada indicador é calculado e, principalmente, entender que lucro e dividendo não são sinônimos. Muitas vezes, a empresa apresenta lucro, mas isso não significa que ele será distribuído integralmente aos sócios.

Por fim, destacamos a importância de conhecer a margem de contribuição. Esse indicador revela quanto cada operação, produto ou projeto gera para cobrir os custos fixos da empresa. Diferente da margem de resultado, a margem de contribuição mostra se a própria operação é capaz de sustentar seus custos — evitando que o sócio precise comprometer seus recursos pessoais para manter o negócio em funcionamento.

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