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FERNANDA GHIGNONE CABECA HOJESC

Menos telas e mais disposição

telas

Vivemos em um tempo em que telas e aplicativos condicionam o cérebro a buscar recompensas imediatas, por promover uma liberação constante de dopamina, neurotransmissor associado à motivação, ao prazer e à produtividade. Esse estímulo constante faz com que as pessoas se acostumem cada vez mais a buscar gratificações instantâneas, reduzindo a capacidade de concentração e o interesse por atividades que exigem mais tempo e atenção, como a leitura e o estudo. Recuperar o equilíbrio desse neurotransmissor é possível, e a alimentação tem papel fundamental nesse processo.

Alguns nutrientes participam diretamente da síntese de dopamina. A tirosina, presente em ovos, sementes de abóbora, queijos e carnes magras, é um dos principais precursores. Minerais como magnésio, ferro e zinco, além das vitaminas C e do complexo B, participam das reações que permitem sua produção adequada. Compostos antioxidantes do chá verde, cacau e frutas vermelhas também protegem os neurônios e melhoram a comunicação cerebral.

Quando falamos em “alimentação dopaminérgica” vale lembrar que não se trata de buscar prazer imediato, mas sim nutrir o cérebro para que volte a responder de forma equilibrada às demandas do dia a dia, já que o excesso de estímulos pode gerar um desequilíbrio na dopamina, afetando a motivação e a concentração. Manter uma alimentação balanceada com estratégias simples, como chá verde pela manhã, castanhas à tarde e uma salada colorida com sementes, garante o aporte de vitaminas e minerais para esse processo. Da mesma forma, evitar ultraprocessados, açúcar e gorduras saturadas é fundamental, pois esses podem reduzir a sensibilidade dos receptores de dopamina e comprometer a ação no cérebro.

Entre as plantas medicinais, a Rhodiola rosea se destaca por equilibrar o sistema nervoso, reduzir o estresse e melhorar a performance mental. Ela atua regulando os níveis de dopamina, contribuindo para mais disposição mental, especialmente em períodos de cansaço ou excesso de estímulos.

Para reduzir a dependência do uso constante de telas e devolver a motivação diária, é necessário mais do que o que colocamos no prato. Um sono reparador, exposição à luz solar, prática de atividade física e momentos de descontração também são fundamentais. Quando o corpo e a mente voltam a atuar em harmonia, a dopamina deixa de ser uma busca constante e volta a cumprir seu papel natural de motivar e nos impulsionar para agir.

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