Sobre o acidente ocorrido no Macuco Safári, em Foz do Iguaçu, causando a morte de um turista holandês, um amigo fez a observação cínica: “Essas é que são as verdadeiras férias emocionantes”. Aduzi que há outras boas opções de destinos eletrizantes no cardápio das agências de turismo. Elenquei algumas.
Férias nos Estados Unidos sem visto. Exigência: deixe um advogado local alertado, irá precisar dele. Chegada em qualquer aeroporto norte-americano, com embaraço garantido na alfândega. Você terá a perfeita sensação de ser preso, fotografado e encarcerado. Situação perfeita para provar o pior da culinária local, a temida junk food, uma vez a cada 24h. Retorno algemado com carimbo de deportação e desembarque em Confins.
Região de Donesk, na Ucrânia. Roteiro perfeito para corridas de obstáculos em campos gelados, escapando de minas terrestres em todo o percurso. Lições de sobrevivência a drones russos sob chuvas de bombas. Hospedagem em trincheiras, dentro de sacos de dormir com os pés congelados e úmidos por uma semana. Garantia de emoções para contar aos netos. Retorno pela Cubana de Aviación, com seis escalas.
Pescaria no Estreito de Ormuz. Promoção imperdível, guiada pelo especialista em viagens no deserto Sheik Guariza. Equipamentos fornecidos pela operadora, como granadas para matar peixes, binóculos para observar snipers explodindo navio, guarda-sóis de amianto (asbestos), eficazes em caso de ataques e molinetes com linha radioativa. Retorno pelas areias em quadriciclos usados na primeira Paris-Dakar.
Tinha lido essas ofertas exóticas na internet e dias depois fui contatado por uma agência. Declinei da oferenda, com a alegação de já ter tido minha participação em férias do tipo. Por insistência do meu filho, viajamos ao cume do morro de Matinhos nem um teleférico mambembe.
Depois da engenhoca enguiçar na subida e desembestar na descida, fui levado ao hospital local e transferido pela Curitiba com arritmia cardíaca.
O monstrengo foi fechado pela polícia no dia seguinte e jamais reaberto.
Imagem: gerada por IA
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