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GLENN STENGER CABECA hojesc

Fair Play Financeiro – a arma contra a irresponsabilidade!

Algumas SAFs de grandes clubes andaram na frente e conseguiram resultados esportivos logo após sua implantação. Botafogo e Cruzeiro são exemplos claros.

Mas… nem tudo que brilha é ouro. Quero ver bem de perto os demonstrativos financeiros (balanços) referentes ao exercício de 2025, antes de afirmar que as duas equipes conseguiram atinar as finanças e o desempenho esportivo. Se, efetivamente, fizeram com que as duas situações andassem em conjunto, com responsabilidade e com total pensamento em pavimentação de futuro.

Dois clubes que não são SAFs fizeram sim o dever de casa. Palmeiras e Flamengo. Estão trabalhando como se deve, pagando suas contas, profissionalizando seus stafs, investindo com responsabilidade. Se notarmos, ambos estão nessa trajetória há mais de década. E agora só estão colhendo frutos. Arrisco dizer que colherão os frutos por muitos anos ainda.

O brasileiro não é acostumado a trabalhar com seriedade e planejamento. Quer o resultado imediato, “para ontem”. E, principalmente no aspecto financeiro, nada que demorou quantidade incontável de anos para ser “demolido” é consertado em pouco tempo. A reconstrução é lenta, penosa.

Vejo hoje agremiações gigantes cometendo irresponsabilidades atrás de irresponsabilidades. Contratando muito caro e sem qualquer previsão orçamentária. Com seus caixas já “furados” e sem qualquer prognóstico de que tenham algum “aporte mágico” que venha redesenhar suas condições financeiras.

O torcedor acostumou-se a cobrar por reforços, a pressionar para que a coisa aconteça da maneira que ele quer, ou da maneira com que o clube do coração agia no passado. Necessário lembrar que no passado a conta não era tão alta, as formas de se dar o famoso “jeitinho” eram muito mais fáceis.

O empresário (tubarão nadando em aquário cheio de peixes acuados) viu essa brecha e aproveitou-se. Inflou preços. Usou a torcida e a própria imprensa para acuar os dirigentes que ficaram numa sinuca de bico. Se não contratam, a opinião pública os destrói. Se contratam, a conta chega rápido, sem ter dinheiro no bolso para pagá-la.

É aí que entra o Fair Play financeiro. Duas situações têm que ser implantadas de maneira imediata para que saiamos desse ciclo vicioso e danoso.

A primeira é a imediata punição às equipes que não mantiverem seus compromissos em dia. Qual punição? De acordo com o tamanho do problema, ou perda de pontos ou até eliminação do torneio. Só assim, de maneira impositiva, os dirigentes se virão obrigados a ser responsáveis e só contratar o que puderem pagar. Há risco, pode ser que o time caia de divisão ou coisa parecida? Sim! Mas é o preço a se pagar pela quantidade de anos em que a reponsabilidade foi negligenciada.

A segunda é a limitação orçamentária, tal qual vemos nas grandes ligas europeias. Obviamente que com patamares de entendimento diferentes. A limitação do Flamengo não pode ser a mesma que a o Juventude, como exemplo. São realidades totalmente distintas. Mas o orçamento do Flamengo não pode ser infinito, sem barreiras. Aí não mais haverá campeonato. 5 equipes se revezarão na briga pelos títulos de agora até sempre, acaso não lhes seja dado um teto. Não há como um Fusca competir com uma Ferrari e ganhar. Eventualmente até o Fusca ganhe uma ou outra corrida por algum erro ou quebra da Ferrari. Mas o resultado final do campeonato todos nós já sabemos: a Ferrari será campeã.

Há um embrião de discussão na CBF sobre esse assunto (Fair Play). As coisas começam a ser tiradas do papel. Muito cedo ainda para sabermos o que acontecerá. Mas fato é que estamos em 2025, num mundo totalmente diferente das décadas de 70 e 80 onde o romantismo do futebol encantava a todos e fazia com que os dirigentes dessem passos maiores que as pernas para que os clubes tivessem sucesso em suas disputas.

Responsabilidade, profissionalismo, gestão com distanciamento da paixão pelos administradores dos clubes podem mudar o panorama do futebol brasileiro.

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