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GLENN STENGER CABECA hojesc

Eu deveria ter estudado para ser técnico de futebol!

Tite caiu ontem. Depois do empate com o Vasco da Gama, o dono do Cruzeiro decidiu que o treinador não mais fará parte do projeto da equipe para 2026. Com toda a sinceridade, não creio que ele esteja muito abalado com o fato!

Não tive acesso aos dados do rompimento desse contrato. Não sei quanto o Tite levou (e ainda levará) para sua conta bancária, por trabalho que não durou 3 meses.

Entretanto, estive próximo das negociações com outros treinadores, nos tempos em que participei da gestão de clube de futebol. Posso afirmar, sem nenhum medo de errar: os valores são estravagantes!

Há responsabilidade pelo desempenho, pela performance e pelos resultados (principalmente os imediatos)? Sim, há. Mas nada justifica o valor “sobrenatural” pago para esses profissionais.

Criou-se uma indústria promíscua (amparada pela lei), onde os empresários de treinadores e os próprios “treineiros” (sempre entendamos que há exceção) não tem intenção de permanecer por muito tempo no clube.

Dificilmente algum treinador fecha contrato por menos de um ano. E a lei obriga o clube contratante a pagar o valor integral dos vencimentos mensais até o final do contrato, mesmo que o técnico tenha sido demitido pouquíssimo tempo após a sua contratação.

Pode até ser que não se receba o valor integral imediatamente após a rescisão. Mas, gera-se um passivo para o clube que terá que ser liquidado em algum momento. Gera-se, também, uma “carteira de recebíveis” para o técnico e seu empresário. Mesmo não estando mais trabalhando, terão direito ao valor integral dos meses restantes.

E, imaginemos também, que boa parte dos contratos são celebrados para 2 anos. Aí o saldo da demissão fica ainda mais “agradável” para os técnicos e seu staff.

Conheço treinador (me permito não falar o nome) que hoje possui 5 “salários” mensais caindo em sua conta, referentes a acertos feitos pós demissão dos clubes que dirigiu (por alguns meses apenas), nos últimos 2 anos. Em minha concepção, absurdo completo.

Dando tração à essa situação, existem imprensa e torcida. Se o clube ficar sem treinador pelo mínimo tempo, há pressão gigante para que se contrate imediatamente o cidadão que terá o comando do grupo. Essa pressão, sabida por quem está no outro lado do balcão, inflaciona os valores e faz com que as cláusulas de eventual fechamento (salários, comissões, bônus, prazo contratual) sejam não ideais para os clubes e muito favoráveis para os técnicos.

Infelizmente é um ciclo vicioso. Sem chance de acabar em breve.

Os atores desse processo entenderam como o jogo funciona. Não estão agindo fora da lei. Errada está a lei que protege e fomenta essa situação!

Leia outras colunas do Glenn Stenger aqui.