Pular para o conteúdo
FICA A DICA

Especialista expõe erro que pode eliminar candidatos de concurso público do TJSC

Tiago Zanolla

A concorrência em concursos públicos segue elevada no Brasil e, em seleções de tribunais, pode ultrapassar centenas de candidatos por vaga. No caso do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), com inscrições abertas até 30 de abril de 2026, prova marcada para 28 de junho e salários iniciais de até R$ 10.388,29, o cenário expõe um padrão recorrente: candidatos com alta carga de estudo ficam de fora por direcionar mal a preparação.

Para Tiago Zanolla, ex-servidor do Judiciário e professor especializado em concursos públicos, o principal erro está na estratégia, não na dedicação. “O candidato estuda muito, mas não estuda o que precisa. Ele organiza a rotina sem considerar o peso real das disciplinas na prova”, diz.

Levantamentos sobre desempenho em concursos organizados pela Fundação Getulio Vargas indicam que provas com cobrança literal e alto nível de detalhamento reduzem significativamente o número de candidatos que atingem a nota de corte, especialmente em disciplinas específicas. Esse padrão ajuda a explicar por que muitos concorrentes, mesmo com boa base teórica, não conseguem avançar.

No edital do TJ-SC, a própria estrutura da prova indica onde estão os pontos decisivos. São 80 questões, com exigência mínima de 48 acertos. Embora conhecimentos gerais representem parte relevante da prova, é nesse bloco que ocorre maior equilíbrio entre candidatos. A diferença costuma aparecer em conteúdos específicos e, principalmente, na legislação institucional do próprio tribunal. “Quem domina essa matéria cria vantagem real. É onde a prova começa a selecionar de fato”, afirma Tiago.

Apesar disso, a disciplina segue sendo subestimada. Com apenas seis questões, muitos candidatos deixam o estudo para o pós-edital, o que reduz a capacidade de absorção do conteúdo. “Perder três ou quatro questões ali pode ser o suficiente para ficar fora. E isso acontece com frequência”, esclarece Zanolla. “Existe uma tendência de estudar o que é mais confortável. Isso gera sensação de progresso, mas não melhora o desempenho na prova”.

A recomendação do especialista é adotar um modelo baseado em dados, no qual o tempo dedicado a cada disciplina seja proporcional à sua relevância no exame. “Quando o candidato entende isso, ele passa a estudar com direção. Deixa de gastar energia onde não precisa”, diz.

O curto intervalo entre edital e prova também amplia o problema. No caso do TJSC, são menos de três meses para preparação após a publicação do edital. “Legislação institucional não é conteúdo intuitivo. Exige leitura detalhada, repetição e familiaridade. Quem começa tarde dificilmente consegue competir em alto nível”, afirma Tiago Zanolla.

Além do impacto na aprovação, a preparação inadequada também afeta o início da carreira. Segundo o especialista, muitos aprovados enfrentam dificuldades práticas ao ingressar no tribunal por não dominarem rotinas e procedimentos internos. “As mesmas normas que caem na prova são usadas no dia a dia. Quem estudou de forma estratégica chega mais preparado”, afirma Tiago.

Para quem ainda está na fase de preparação, a orientação é iniciar imediatamente um planejamento estruturado, com base em três pilares: leitura aprofundada do edital, distribuição estratégica do tempo e acompanhamento de desempenho por meio de questões. “Persistir sem ajustar a estratégia é repetir o erro. O estudo precisa ser tratado como um projeto”, diz.

O caso do TJSC reforça que, em um ambiente de alta concorrência, a eficiência do estudo se tornou mais determinante do que o volume de horas dedicadas. A escolha do que estudar, e não apenas o quanto estudar, tem definido quem avança e quem fica pelo caminho.

Foto: Reprodução Facebook

Leia outras notícias no HojeSC.