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ERNANI BUCHMANN CABECA hojesc

Velhos cinemas, grandes críticos

Semana passada, na reunião da Academia Paranaense de Letras, nosso cineasta Fernando Severo lembrou de um tema que sugeri ano passado: o resgate das resenhas cinematográficas dos grandes críticos que tínhamos na década de 1960.

Era um time de alta qualidade: Hélio Puglielli (presente à reunião), Sílvio Bach, Aramis Millarch, Ernani Garcia Correia, Lélio Sottomaior Jr., Valêncio Xavier, Armando Ribeiro Pinto e até Rubens Ewald Filho, entre outros.

Aquela Curitiba de 400 mil habitantes tinha grande número de salas de cinemas. Nada como a Buenos Aires do fim dos anos 1940, com 192 ou a Havana de 1955, com 138, como consta da obra de Leonardo Padura, Ir até Havana.

Aqui, no início da década de 1960, quando foram inauguradas muitas salas, tínhamos a seguinte seleção, se a memória não me engana: Avenida, Ópera, Palácio (depois Astor), Ritz, Luz (que pegou fogo na época), Arlequim, Lido, Rivoli, São João, Vitória, Marabá, Santa Maria (depois Riviera), Curitiba, América, Plaza, Glória, Morgenau, Flórida, Guarani, Marajó, Mercês, Santa Felicidade, São Cristóvão. Em seguida vieram Condor, Excelsior (depois Cinema 1), Scala, Groff e Ribalta.

Se não tivemos a mesma capilaridade, digamos assim, de Buenos Aires e Havana, tínhamos nossa confraria crítica, a publicar diária ou semanalmente resenhas primorosas sobre os lançamentos em destaque. As estreias aconteciam, de praxe, às quintas-feiras, mas as críticas saíam todos os dias, especialmente nos fins de semana. Era um deleite, inclusive as que baixavam o sarrafo em filmes que nos pareciam bons. Então, a Boca Maldita se enchia de discussões, muitas vezes com a presença do autor da resenha amaldiçoada.

Vamos, portanto, montar o projeto, garimpar os velhos artigos e transformá-los em um belo livro, com a competente curadoria do Fernando Severo.

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