
Não se trata, caro leitor/leitora, de algumas quedas d’água como aquelas Sete que foram afogadas pela construção de Itaipu. Muito menos a sofrida pelo Rafael Greca há alguns dias, capaz de obrigá-lo a se hospedar em um hospital. As quedas referidas são as sofridas por esta cronista nos últimos meses, resultando em prejuízo para os braços e traumatizando o dono deles.
A primeira se deu na data comemorativa de 15 de novembro do ano passado. Se D. Pedro II caiu do cavalo na mesma data do longínquo 1889, também não deixei que o dia passasse incólume. Ao tentar ajudar minha neta, a descer da escada de casa (como ela não precisava), perdi o equilíbrio entre dois degraus e me espatifei no chão depois de descer de peito o restante do percurso. Desastre: fraturas do punho esquerdo, de uma costela, em um dedo do pé e um corte na cabeça. Consequência: uns dias de molho, cirurgia no punho, com colocação de placa, e fisioterapia. Vida que segue.
Início de maio de 2026. O porteiro do prédio avisa pelo WhatsApp a chegada de um pacote com livros. Vou buscá-lo calçando crocs. Na volta, fiz o que a precaução não aconselha. A ansiedade me fez ir desfolhando o envelope, sem olhar para a frente. No piso irregular, tropecei e, na queda, arrebentei o braço direito. Socorrido pelo porteiro, Tânia me levou ao pronto-socorro: alguns tendões prejudicados, duas semanas de tipoia e fisioterapia.
Rio de Janeiro, semana passada. Deixo o plenário do evento e vou ao alojamento pegar um casaco. Frio e chuva. Eu poderia ter ido pela calçada existente entre os prédios, mas resolvo ganhar tempo. Vou pela grama molhada. Escorrego, com o que meu pé bate no batente da calçada. Lá vou eu de cara no chão. Encharcado, com o cotovelo ferido, sou levado para a enfermaria. Pomada antisséptica, um curativo e que o tempo arrume o estrago.
Interessante notar que o período entre uma queda e outra diminuiu e a gravidade dos ferimentos também. Portanto, é de se esperar que a próxima queda seja amortecida por alguma almofada, sem maiores consequências.
Mas tudo é hipótese, já que, a partir de certa idade, cair é o esporte preferido das pessoas de cabelos grisalhos (quando os têm), pernas sem resistência e olhos piores ainda.
Nossa vingança é resistir. Tropeçando vamos em frente. Uma banana para os percalços do caminho. Aqui, ó!
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