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FERNANDA GHIGNONE CABECA HOJESC

Dor nas articulações: como a alimentação e a suplementação podem ajudar

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A dor nas articulações costuma chegar de forma silenciosa, muitas vezes ignorada no início, até começar a interferir na rotina, no sono e na qualidade de vida. Em doenças inflamatórias crônicas como na artrite, esse processo vai além do desconforto pontual. Existe uma inflamação sistêmica que evolui com o tempo, levando à destruição de cartilagem e osso, comprometendo principalmente mãos e pés e reduzindo a função articular. Quanto maior a inflamação, maior a progressão da doença e o impacto no dia a dia.

Esse cenário nos mostra que não se trata apenas de tratar a dor, mas de atuar na causa. É aqui que a nutrição se torna uma grande aliada. Uma alimentação anti-inflamatória pode ajudar a modular esse processo, reduzir sintomas e proteger as articulações ao longo do tempo. Isso significa priorizar alimentos naturais, ricos em antioxidantes e compostos bioativos, como vegetais coloridos, chás, frutas, azeite de oliva, peixes ricos em ômega 3, sementes e oleaginosas. Ao mesmo tempo, é fundamental reduzir o consumo de ultraprocessados, açúcares, gorduras inflamatórias e álcool, que alimentam esse ciclo de inflamação.

Além da alimentação, a suplementação tem um papel estratégico e muitas vezes fundamental para melhores resultados. O ômega 3, por exemplo, atua diretamente na modulação inflamatória, ajudando a reduzir dor, rigidez e edema articular. A vitamina D merece atenção especial, já que seus níveis estão associados à progressão da doença. Manter níveis adequados pode contribuir para uma evolução mais favorável. O magnésio auxilia no relaxamento muscular e pode ajudar no alívio da dor, enquanto o metilsulfonilmetano, conhecido como MSM, atua como anti-inflamatório e antioxidante, melhorando o fluxo sanguíneo e contribuindo para a redução dos sintomas.

Quando pensamos em um tratamento mais completo, a fitoterapia surge como um grande diferencial. Utilizada de forma individualizada, ela potencializa os resultados e atua em diferentes vias da inflamação. A Curcuma longa (cúrcuma) é um dos destaques, com potente ação anti-inflamatória e melhora da sensibilidade à dor. O Zingiber officinale (gengibre) possui ação analgésica e anti-inflamatória, além de ajudar na proteção óssea. A Boswellia serrata auxilia na redução da dor e do inchaço, melhorando a função articular, enquanto a Harpagophytum procumbens, conhecida como garra do diabo, também se destaca na redução da dor e inflamação. A fitoterapia deve ser utilizada de forma criteriosa, sempre prescrita por profissional habilitado, como nutricionista ou médico com formação na área. A automedicação não é recomendada, pois mesmo substâncias naturais podem apresentar interações, contraindicações e efeitos adversos quando utilizadas sem orientação.

Outro ponto essencial é o controle do peso. O excesso de tecido adiposo não apenas sobrecarrega as articulações, como também atua metabolicamente, favorecendo a inflamação sistêmica. Manter um peso saudável é uma das estratégias mais eficazes para preservar a função articular e reduzir sintomas.

Além disso, não se pode esquecer de fatores como sono de qualidade, manejo do estresse e prática regular de atividade física adequada. O movimento, quando bem orientado, ajuda a manter a mobilidade, fortalece a musculatura e contribui para a redução da dor.

Cuidar das articulações é um processo contínuo. Pequenas mudanças na alimentação e no estilo de vida, associadas a uma suplementação adequada e, quando necessário, ao uso de fitoterápicos, podem transformar não apenas os sintomas, mas a qualidade de vida como um todo.

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