Passou o 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, e a timeline ainda ecoa mensagens de força, flores virtuais e frases motivacionais. Mas, dias depois, o que fica é o peso real que muitas carregam.
Inspirada em uma reflexão que vi circulando — “Feliz dia para quem vive segurando o mundo nas mãos: às vezes coisas, às vezes pessoas, às vezes sentimentos inteiros” —, penso nas mulheres do mundo corporativo e empresarial que eu vejo todos os dias.
São elas que chegam às 8h na reunião de diretoria, já tendo resolvido o café da manhã das crianças, o trânsito caótico da cidade e a agenda do dia.
São as executivas que lideram times grandes, fecham contratos milionários e ainda respondem WhatsApp da família no intervalo do almoço. Algumas optaram por não ter filhos e mergulharam de cabeça na carreira — e ouvem, até hoje, o comentário velado de “mas e a realização pessoal?”. Outras escolheram a família, pausaram ou abandonaram ascensões promissoras, e carregam a culpa de “ter desistido do potencial”. E tem as que fazem as duas coisas: têm filhos, mantêm o emprego, a liderança, as metas trimestrais, e ainda dão conta da escola, da rotina médica, das tarefas domésticas que, convenhamos, ainda recaem mais nelas.
Não é sobre romantizar as mulheres multitarefas. É sobre reconhecer que, em 2026, o equilíbrio carreira-família continua desequilibrado. Dados recentes mostram que mulheres ainda ganham menos em cargos equivalentes, ocupam menos cadeiras de C-level (apesar de avanços em algumas empresas), e saem do mercado em massa após a licença-maternidade porque o suporte real — creche no trabalho, flexibilidade verdadeira, divisão justa de cuidados — ainda é exceção. Muitas “seguram o mundo” porque, se soltarem, algo desaba: o time, a casa, a saúde mental.
Mas o que me impressiona é a resiliência sem vitimismo. A CEO que abre caminho para outras mulheres na diretoria. A empreendedora que monta negócio próprio depois de anos em corporação tóxica. A gerente que negocia home office para ver o filho crescer sem abrir mão da promoção. Elas não pedem aplauso; pedem condições iguais. E, quando as têm, entregam resultados que superam expectativas — com empatia, visão estratégica e uma capacidade de conexão que muda culturas organizacionais.
Neste pós-8 de março, o convite não é só celebrar, mas questionar: sua empresa está facilitando ou dificultando que mulheres segurem tudo sem quebrar? Seu time valoriza as escolhas delas — com filhos ou sem, com pausa ou sem pausa? E você, mulher que lê isso: qual peso você segura hoje? Qual você quer soltar, ou dividir?

