Março de 2026.
Na teoria, já deveríamos estar acostumados com o fato de que todos os dados necessários, para qualquer pesquisa, estão disponíveis em poucos cliques.
Também deveríamos estar convencidos do papel que as redes sociais possuem na disseminação de informações, na construção de valores, na valoração de marcas.
Mas, quando falamos de futebol, onde o fator razão fica atrás do fator emoção, na imensa maioria das vezes, ainda não nos acostumamos em pesquisar e nem nos convencemos do poderio das redes.
Semana passada, mostramos aqui como e por quais motivos a Paramount triplicou o valor pago pela transmissão do UFC. Valores astronômicos pagos pelo evento, mas que não querem só o evento. Querem tudo que gira ao redor dele e que o público alvo consome. E tudo isso trabalhado por algoritmo. Trabalhando informações e direcionando pensamentos, tendências, modos de agir e de consumir.
Aí, acreditem, fui questionado quanto aos motivos que levam à disparidade nos contratos de publicidade que são vinculados aos atores do mundo do futebol.
Oras… saiamos de nossa “vilinha” e passemos a encarar o mundo como ele é.
NENHUMA empresa faz nenhum atrelamento de sua imagem só por amor, carinho, afeição ou proximidade. Repito: NENHUMA!
Assim como no UFC, quem está pagando a conta da publicidade quer retorno. O poder do dinheiro é, e sempre será, determinante. Razão e matemática à frente.
Pode-se até ter simpatia por esse ou aquele, mas o que direcionará investimento é quanto esse ou aquele trará de retorno ao seu caixa, à sua imagem, ao seu negócio.
Cada vez mais, não serão apenas os melhores que aparecerão, que terão suas imagens veiculadas. Serão aqueles com mais empatia, com mais seguidores, que geram mais views, que geram debates nas redes.
O algoritmo gera cada vez mais exposição. A exposição gera retenção. A exposição sem freios e a retenção são pratos cheios para anunciantes.
Trazendo para o futebol, análise sem maior aprofundamento mostra, na rede Instagram, o alcance que um anúncio ou uma marca podem ter. Rapidamente se mede a amplitude da divulgação se analisarmos os números de seguidores.
Falemos de clubes de 5 importantes estados brasileiros: (Corinthians – 15,7mi), (Santos – 8,1mi), (Palmeiras – 7,6mi), (São Paulo – 7,1mi), (Flamengo – 25mi), (Vasco – 3,8mi), (Fluminense – 2,7mi), (Botafogo – 1,9mi), (Atlético Mineiro e Cruzeiro – ambos com 3,4mi), (Grêmio – 3,6mi), (Inter – 2,4mi), (Cap – 912mil), (Coritiba – 528 mil).
Falemos, agora, apenas de atletas: Neymar (234mi), Messi (511mi), Cristiano Ronaldo (672mi).
Dados estão aí. De início de março. Sem emoção, frios.
Não sejamos hipócritas nem, tampouco, alienados pelas cores que nós torcemos. Futebol é negócio e negócio depende de dinheiro.
Em sã consciência, você querendo e podendo divulgar e atrelar sua marca e seu negócio, faria com quem? Ainda nessa análise (que é superficial, mas já com direcionamento bem importante), estaria preocupado se os teus recursos de publicidade fossem direcionados apenas para um atleta do que para uma equipe toda de futebol, se os números mostrassem que só esse atleta lhe traria mais visibilidade e retorno que todo um time?
As repostas nós sabemos. O que não queremos é concordar com elas.
Lembre-se: estamos em 2026. Quem entende o jogo seguirá jogando. Quem está aí com o coração à frente da razão, vai desaparecer logo.
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