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FERNANDA GHIGNONE CABECA HOJESC

Cortar carboidrato pode estar sabotando sua corrida

corrida

A corrida conquistou espaço definitivo na rotina de milhares de pessoas por sua simplicidade e acessibilidade, mas por trás desse esporte existe uma exigência que muitos ainda negligenciam: o cuidado com o corpo por meio da nutrição adequada. Começar a correr parece fácil, basta um tênis e disposição, porém evoluir com segurança, evitar lesões e melhorar desempenho depende diretamente de como o organismo é abastecido antes, durante e após os treinos.

Nesse contexto, os carboidratos, frequentemente demonizados em dietas da moda, desempenham um papel essencial para corredores. São a principal fonte de energia para exercícios de média e alta intensidade, sendo armazenados no organismo na forma de glicogênio muscular e hepático. Durante corridas mais longas, esse estoque é utilizado de forma progressiva para manter o ritmo e retardar a fadiga. Quando há baixa disponibilidade de carboidratos, o corpo entra em um estado de fadiga mais precoce, o que não apenas reduz o desempenho, mas também compromete a qualidade do movimento. Com isso, o corredor tende a alterar sua mecânica de corrida, aumentando a sobrecarga sobre músculos e articulações e, consequentemente, o risco de lesões.

Diante disso, o consumo de carboidratos deve ser planejado de forma estratégica e individualizada, respeitando o tipo de treino, a duração e as necessidades de cada corredor. Em treinos mais longos, é fundamental garantir uma ingestão adequada antes e, quando necessário, também durante a atividade, assegurando a disponibilidade energética ao longo do esforço. Essa atenção é essencial para evitar quadros de baixa disponibilidade energética, que além de comprometer o desempenho pode causar alterações metabólicas e imunológicas, aumentando a suscetibilidade a infecções e prejudicando a saúde muscular e óssea. Por isso, ajustar a quantidade, o tipo e o momento de consumo não é apenas uma questão de performance, mas de manutenção da saúde e consistência nos treinos.

Além dos carboidratos, a hidratação é outro ponto crítico e muitas vezes subestimado. A perda de líquidos e eletrólitos pelo suor pode impactar significativamente o desempenho e a recuperação. Sódio, potássio e magnésio são minerais essenciais para a contração muscular e o equilíbrio hídrico, e sua reposição se torna fundamental em treinos prolongados ou em ambientes quentes. A ingestão de eletrólitos deve ser planejada especialmente para atividades acima de uma hora, prevenindo câimbras, fadiga e até quadros mais graves como a hiponatremia.

A partir desse cuidado com a nutrição, a suplementação pode ser uma aliada na melhora da performance do corredor, mas deve sempre ser entendida como uma estratégia individualizada, ajustada às necessidades, objetivos e tipo de treino de cada pessoa. Entre as opções mais utilizadas estão os géis de carboidrato, importantes para manutenção de energia em provas longas, os antioxidantes, que podem auxiliar em períodos de maior carga de treino no controle do estresse oxidativo, a cafeína, associada à melhora do desempenho e redução da percepção de esforço, e a beta-alanina, que pode contribuir para retardar a fadiga muscular. Ainda assim, vale lembrar que nenhum suplemento compensa uma alimentação equilibrada e adequada ao corredor.

Diante de tudo isso, correr bem não é apenas uma questão de treino, mas de estratégia nutricional. Garantir a ingestão adequada de carboidratos, manter a hidratação e respeitar as necessidades individuais são pilares para evoluir com saúde, consistência e desempenho.

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