Antes de qualquer coisa: não, eu não sou flamenguista. Não tenho nenhuma admiração e nenhum carinho pelo rubro-negro carioca. Inclusive, essas são as cores pelas quais tenho menor apreço!
Entretanto, o assunto no mundo do futebol brasileiro era a tal Supercopa do Brasil.
Partida única, reunindo o campeão do campeonato brasileiro e o campeão da Copa do Brasil de 2025. De um lado o alvinegro paulista e de outro lado o rubro-negro carioca. Os dois times com maior torcida (disparadamente) no país.
Caricatamente o jogo foi em Brasília. Sede de todas as maracutaias que presenciamos dia pós dia. Para mim, há dezenas de lugares melhores se realizar um espetáculo desse tipo. Figuras que hoje destroem ainda mais a credibilidade da nação lá estavam, auxiliadas, logisticamente, pela proximidade de seus aposentos. Mas, enfim, o tema não é esse…
De um lado, tínhamos uma equipe estruturada nos aspectos institucional, político, financeiro e esportivo. Tirando o bairrismo de lado, mostra-se transparente que o Flamengo é o clube que está melhor organizado em todas as suas áreas. Talvez não só no Brasil como em toda a América Latina.
No outro lado, tínhamos uma equipe institucionalmente dilapidada, politicamente em frangalhos, financeiramente beirando à falência e esportivamente repleta de senões. Uma equipe que é gigante pela quantidade de adeptos. Uma das maiores da América Latina, mas que não é exemplo de nada para ninguém.
E o que acontece? O time do Corinthians vai lá e leva o caneco para São Paulo!
Isso é ruim? No meu entendimento é péssimo. Esse tipo de situação premia a sacanagem, premia a falta de princípios morais e éticos. Ganhou quem não fez a lição de casa, quem não deu bola para suas dívidas, quem sequer consegue controlar a corrupção interna, quem não honra seus compromissos.
E essa imagem fica na cabeça das frágeis testemunhas desse processo. O povo torcedor (que já há décadas não é mais capacitado e sim ideologizado) acaba acreditando que isso é o normal, que é assim que funciona. Que se deve ganhar e só!
O ato de ganhar sobrepõe todas as virtudes. Para ganhar, não há problema em ser malandro, corrupto, devedor. Se eu estou ganhando posso até roubar que está tudo certo. Esse é o pensamento que norteia o futebol. O fim sempre justifica os meios. E os meios podem ser nefastos, desde que o clube seja campeão.
Deprimente isso. Essa cultura enraizada nos diminui como nação. Nos faz perder propósitos. Afasta investimento sério. Descredibiliza o negócio futebol. Afugenta recursos.
O normal e ideal seria o Flamengo ganhar. Andou muito à frente do Corinthians em todos os processos. Cumpriu os itens da cartilha de modo a fazer do clube um clube ajustado, respeitado e idôneo.
Mas… o futebol não leva isso em consideração. Por vezes o malandro se dá melhor.
Talvez isso explique o motivo do futebol ser o esporte mais querido pelo povo brasileiro. Eles se merecem!
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