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SILVIO LOHMANN CABECA hojesc

COP30 gera, na mesma intensidade, expectativas e dúvidas

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O Brasil será o centro das atenções entre 10 e 21 de novembro, quando Belém recebe a COP30. O encontro da ONU sobre o clima, marcado por desafios logísticos, traz a expectativa de avanços em temas decisivos da agenda climática global.

O principal foco segue sendo o combate ao aquecimento global e o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas. A evolução depende das NDCs (Contribuições Nacionalmente Determinadas) de emissões. Ao mesmo tempo, o financiamento será fundamental. O atual patamar de recursos globais destinados ao clima pode não ser suficiente para ações concretas de mitigação e adaptação.

A questão financeira também se destaca no debate sobre os mercados de carbono, cuja regulamentação avança lentamente. A União Europeia chega ao Brasil defendendo que ainda é possível manter a meta de aquecimento em 1,5°C, mas com a necessidade de mobilizar recursos e ampliar a ambição global de redução de emissões.
Paralelamente, é esperado um acordo sobre indicadores do Objetivo Global de Adaptação (GGA), previsto no Acordo de Paris, que busca medir e fortalecer a capacidade dos países de enfrentar impactos climáticos. A Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) deve pressionar por compromissos concretos de expansão da energia limpa e dos biocombustíveis.

OCDE e PNUD reforçam que metas climáticas bem estruturadas podem gerar crescimento econômico, reduzir a pobreza e impulsionar a saúde pública — desde que se transformem em planos exequíveis e passíveis de investimento. Ao mesmo tempo, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) alerta que o planeta caminha para até 2,5°C de aquecimento neste século.

Desafio logístico
A COP30 registra número de inscritos bem abaixo das edições anteriores. Segundo dados preliminares da ONU, cerca de 12,2 mil pessoas haviam confirmado participação até outubro. A capacidade hoteleira limitada e os altos preços de hospedagem explicam parte da redução. Em comparação, a COP29, no Azerbaijão, reuniu mais de 54 mil participantes, e a COP28, em Dubai, quase 84 mil. O governo brasileiro, porém, ainda projeta a presença de mais de 45 mil pessoas.

Foco na adaptação
Uma das missões da COP30 é avançar em um acordo global sobre indicadores de progresso do GGA. Esse conjunto de métricas deve orientar ações de adaptação, fortalecer a resiliência e reduzir vulnerabilidades diante das mudanças climáticas. Segundo análise da OCDE e da Agência Internacional de Energia (IEA), essas métricas precisam ser ambiciosas, porém aplicáveis, integrando sistemas nacionais de monitoramento do clima e servindo de base para políticas e investimentos mais eficazes.

Meta ao alcance
Apesar do pacote Omnibus — ainda não aprovado — que flexibiliza regras ambientais para corporações privadas na União Europeia, o bloco chega a Belém unido na defesa de medidas eficazes de combate ao aquecimento global. Para manter a meta de 1,5°C “ao alcance”, considera fundamental mobilizar financiamento solidário, elevar a ambição de mitigação e avançar em programas de adaptação. Segundo a ONU, países em desenvolvimento precisarão aportar mais de US$ 310 bilhões por ano até 2035 para apoiar outras nações diante dos impactos climáticos. Em 2023, países ricos disponibilizaram apenas US$ 26 bilhões.

Carbono frio
A Associação Internacional de Comércio de Emissões (IETA), que reúne empresas de diversos países, espera avanços na implementação e regulamentação do mercado global de carbono. Até agora, afirma a entidade, o progresso é “mais lento do que o necessário” para atingir as metas internacionais. Questões como integridade contábil e acordos bilaterais ainda incipientes precisam ganhar ritmo.

Energia limpa
A Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) quer acelerar metas para o uso sustentável de biocombustíveis e ampliar compromissos globais de geração de energia limpa. A capacidade atual está abaixo da meta estabelecida na COP28, que prevê alcançar 11,2 terawatts até 2030. Para isso, será necessário um crescimento anual de 16,6% nos próximos cinco anos.

Rumo a 2,5°C
Relatório do PNUMA alerta que o planeta caminha para um aquecimento entre 2,3°C e 2,5°C até o fim do século, mesmo com o cumprimento integral dos planos nacionais de redução de emissões previstos até 2035. A diretora-executiva da agência, Inger Andersen, reconhece avanços desde o Acordo de Paris, mas afirma que “o progresso não é nem de longe rápido o suficiente”. Sem cortes mais profundos e imediatos, o mundo pode ultrapassar o limite de 1,5°C já nesta década.

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