Pular para o conteúdo
MANOEL KNOPFHOLZ CABECA HOJESC

Como a família empresária deve fazer a separação entre o negócio e a gestão do negócio

família

Pelo que temos visto nas nossas andanças, é quase uma praxe, uma prática já bastante usual, a família compreender a empresa e o empresariado apenas sob a perspectiva da gestão. Especialmente nas famílias empresárias, nas quais temos a figura do fundador e dos sucessores diretivos, é extremamente comum que todas as expectativas, demandas, buscas e sonhos estejam concentrados na gestão — ou seja, na cadeira do pai, da mãe, que simbolicamente representa o colo, o trono, o poder.

Assim, muitas vezes, analisa-se apenas quem vai gerir a empresa, enquanto pouca relevância é dada à perspectiva do negócio em si — aquilo que sempre destacamos como a diferença entre gerir e empresariar.

Portanto, é fundamental que qualquer protagonista da família empresária entenda, antes de tudo, o negócio. Qual é o negócio? Qual é a perspectiva de uma empresa que atua nessa atividade? Qual é a capacidade desse negócio de gerar rentabilidade para o capital investido?
Estamos falando, por exemplo, de valor: quando eu quiser vender minhas cotas ou ações para outro membro da família, quanto vale esse negócio?

Essa falta de priorização do negócio em detrimento da gestão representa um olhar diferente do que normalmente acontece. Em geral, todos querem a gestão, mas poucos se perguntam se o negócio é realmente bom, se está atualizado em relação ao mercado, se não está ultrapassado, se rentabiliza, se valoriza e, principalmente, quanto ele vale.

O grande desafio, portanto, está na conscientização e na sensibilização — tanto do fundador quanto dos sucessores diretivos — para que saibam olhar para o negócio, para o nicho, para a concorrência e, especialmente, para a remuneração do capital que essa empresa pode proporcionar.

A gestão é, sem dúvida, uma parte extremamente importante, pois contribui para a qualidade do negócio. No entanto, não deve ser o único aspecto a fascinar o sucessor. É preciso avaliar se o negócio que ele está herdando — ou que deseja suceder — possui perenidade, gera valor e apresenta perspectivas consistentes para o futuro.

Essa inversão de perspectiva é justamente o grande desafio da família empresária: olhar a empresa como um negócio, e não apenas como um espaço para exercer a gestão — ou, por vezes, brincar de ser gestor sem compreender, de fato, qual é o negócio.

Leia outras colunas do Manoel Knopfholz aqui.