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GIGANTE DO VAREJO

Casas Bahia entra com pedido de recuperação judicial, após prejuízo de R$ 10,1 bilhões no 2º trimestre

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O Grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial no Juízo de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo (SP). Em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a empresa destaca que o pedido ocorre em um contexto de deterioração das condições econômico-financeiras, atribuindo o cenário, entre outros fatores, a um ambiente macroeconômico marcado por taxas de juros elevadas, restrição de crédito, aumento do custo financeiro e pressão sobre o consumo e o capital de giro. O documento também menciona a não concretização de alternativas de liquidez que vinham sendo estruturadas.

O pedido vem logo depois de a empresa anunciar uma perda bilionária no segundo trimestre. O prejuízo líquido contábil no período foi de R$ 10,1 bilhões, fortemente afetado por efeitos não recorrentes, enquanto o prejuízo ajustado ficou em R$ 978 milhões, alta de 76,2% em um ano. Em meio à deterioração dos resultados, a varejista fechou 298 lojas e reduziu o quadro de funcionários. Neste fim de semana, outra grande rede varejista, a Marabraz, também entrou com pedido de recuperação judicial.

A recuperação judicial é apontada como necessária e como mais um passo no processo de reestruturação financeira, com o objetivo de preservar a continuidade das atividades e viabilizar uma solução ordenada para o equacionamento das obrigações. A empresa disse ainda que pretende manter as operações em todos os canais existentes durante o processo, priorizando o atendimento aos clientes e consumidores, sem interrupções relevantes e nos níveis de qualidade e serviço atualmente existentes.

Além da própria companhia, integram o pedido de recuperação judicial as empresas ASAP Log – Logística e Soluções; ASAP Log; CNT Soluções em Negócios Digitais e Logística; Cntlog Express Logística e Transporte; Globex Administração e Serviços; Cnova Comércio Eletrônico; Integra Soluções para Varejo Digital; Casas Bahia Tecnologia; e Indústria de Móveis Bartira.

Em razão da decisão, o conselho de administração da empresa também aprovou a convocação de uma Assembleia Geral Extraordinária (AGE) para apreciar a ratificação do ajuizamento, adotado “em caráter de urgência”, conforme proposta que a empresa disse que será divulgada oportunamente.

Balanço no vermelho

Do prejuízo contábil de R$ 10,1 bilhões, cerca de R$ 9,1 bilhões estão relacionados a efeitos não recorrentes. O maior impacto, de R$ 5,56 bilhões, veio de imposto de renda e contribuição social diferidos. A companhia reconheceu ainda R$ 1,8 bilhão em contingências contratuais, R$ 971 milhões em baixa de ágio, R$ 502 milhões em gastos relacionados à reestruturação e R$ 210 milhões ligados a ativos imobilizados e à reorganização da operação.

A pressão também aparece no resultado financeiro. O saldo ficou negativo em R$ 1,28 bilhão, piora de 11,4% na comparação anual, enquanto as despesas financeiras cresceram 7,3%, para R$ 1,35 bilhão. Segundo a companhia, o resultado reflete, entre outros fatores, o elevado custo de capital no Brasil.

Ao mesmo tempo, a dívida líquida da empresa ficou em R$ 1,2 bilhão no trimestre encerrado em junho e o patrimônio líquido está negativo em R$ 8,2 bilhões. Além do fechamento das lojas e redução no quadro de colaboradores, a Casas Bahia prevê um redimensionamento dos investimentos, com foco em projetos de tecnologia e logística.

Na prática, a companhia deve priorizar a comercialização de produtos por canais digitais próprios, reduzir os estoques e vender participações em ativos para aumentar a liquidez. “Tamanho é consequência, não objetivo. Em um ambiente de maior custo de capital, a escala deve refletir a capacidade de gerar retorno”, disse a empresa no documento de divulgação dos resultados.

Em meio à reestruturação, a Casas Bahia ainda apresentou crescimento modesto das vendas. A receita líquida avançou 1,6% em um ano, para R$ 6,98 bilhões, enquanto o volume bruto de mercadorias (GMV) consolidado cresceu 0,5%, para R$ 10,51 bilhões. Nas lojas físicas, o indicador recuou 3,2%, para R$ 6,08 bilhões.

O Ebitda ficou em R$ 518 milhões, queda de 9,4% na comparação com o segundo trimestre de 2025. A margem Ebitda caiu 0,9 ponto porcentual, para 7,4%. A companhia também registrou aumento da inadimplência no carnê: a parcela dos pagamentos atrasados há mais de 90 dias chegou a 8,9%, alta de 0,5 ponto porcentual em um ano.

Foto: Divulgação Casas Bahia

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