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ALEXANDRE TEIXEIRA CABECA hojesc

Califa

ALEXANDRE VINHOS (1)

Adoro viajar. Se tem uma coisa que eu gosto de fazer e entrar num avião e partir. Pode ser lugares novos, pode ser para lugares que eu já conheço, não importa, viajar hoje para mim é muito mais que lazer, é terapia. Por vezes cansa por conta de aeroportos e transfers de um lugar para outro, mas no final tudo compensa.

 

Minhas viagens, quando posso escolher, são sempre gastronômicas e etílicas. Você não gosta de ir a museus? Gosto, mas ultimamente tenho uma sensação de que aquelas obras todas, que foram pilhadas por conquistadores europeus e americanos, representam uma época da civilização que foi forjada na dor e no sofrimento de alguém. Gosto de galerias de arte contemporâneas, de jovens artistas, que criam à partir das suas próprias referências.

 

Tem muito artista do forno e fogão, e muito artista das uvas. A Califórnia, ou Califa (só dessa época, anos 80), tem uma profusão de artistas plásticos, excelentes chefes de cozinha e maravilhosos enólogos. O passeio pelo Napa Valley ou outras regiões vinícolas do estado americano valem o investimento. Outra coisa que eles sabem fazer são lojas de vinhos muito descoladas. Onde você não precisa daquele ritual todo cheio de “fru-fru” para tomar um bom vinho, você só precisa de um sofá, de uma mesa de apoio e pronto, a alegria está feita.

Nesta minha rápida passagem pela Califórnia pude tomar excelentes vinhos, muitos dos quais nunca serão vendidos no Brasil, por conta da pequena produção e do alto custo tributário. E tive a oportunidade de conhecer uma lojinha em Palo Alto chamada “Feast & Floral – Cheese, Charcuterie e Provisions”. Lembra um pouco aquele ar da série “Friends”. Um lugar bastante descolado que vende apenas produtos locais, vinhos, chás, doces, compotas, geleias, etc, tudo produzido na região.

 

Tomei um excelente vinho tinto chamado “Assiduoss Bates Ranch Cabernet Sauvignon”. Um ótimo vinho com 13,5% de teor alcoólico e 100% cabernet. Por vezes os americanos colocam no rótulo a uva principal e quando você vai ver a ficha técnica ele não é um monocasta e sim um blend. Não foi o caso desse. Na taça a sua cor era rubi intenso, quase um amora preta selvagem, dessas que nós temos em Curitiba. Tem aromas de pimenta, tabaco e cerejas negras, e na boca você sente bastante chocolate e especiarias, um final fino e prolongado. Foi um ótimo vinho para um fim de tarde californiano. O preço foi de US$ 26,00. Um preço justo para este Cabernet.

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