Quando viajo sempre procuro trazer algumas garrafas na mala quando consigo me organizar. Uma das razões é comprar vinhos que você não encontra no mercado brasileiro, a outra é pagar um preço justo por vinhos que no Brasil possuem um preço acima do razoável.

Com o acordo Mercosul/União Europeia o preço dos vinhos do Velho Mundo devem baixar significativamente, mas isso vai levar uns dez anos pelas regras que estão sendo discutidas neste momento. Vai ser uma redução gradual dos preços para não matar os produtores brasileiros. Acredito que os nosso produtores devem lutar em breve para que a carga tributária interna (uma das maiores do mundo) também seja reduzida, para que os nossos vinhos tenham competitividade em relação aos estrangeiros.
Uma forma de conhecer novos vinhos é visitar vinícolas por onde você passa. Estive na Alsácia, França, para ver minha filha e netas, e o meu genro aproveitou para me levar num produtor local para experimentar espumantes e vinhos brancos, uma especialidade nesta região.

A Domaine Frédéric Mochel produz vinhos desde 1669, são quatorze gerações de vinicultores produzindo em 10 hectares, sendo 5 destes localizados na “Alsace Grand Cru Alterberg de Bergbieten”. Nestes 10 hectares são produzidas 7 variedades de uvas: Chardonnay, Auxerrois, Riesling, Muscat, Pinot Gris, Gewurztraminer e Pinot Noir. Os vinhedos ficam aos pés das montanhas de Vosges e por muitas vezes ficam cobertos pela neve do inverno. Os vinhos da Domaine Frédéric Mochel possuem três denominações de origem: Crémant d’Alsace AOC, Alsace AOC e Alsace Grand Cru Altenberg de Bergbieten AOC. Significa dizer que são vinhos de altíssima qualidade e que seguem normas rígidas de produção.
Crémant é o champagne da Alsácia, mas como todos sabem, só as bebidas produzidas na região de Champagne é que podem usar este nome. No dia da visita experimentei 3 diferentes Cremants. Pensa numa bebida excepcional. As borbulhas explodem na sua boca, uma gole pequeno e a bebida ocupa todo um espaço. É uma coisa difícil de explicar, lembra daquelas balinhas pequenas que explodiam na boca da gente? Coisa dos anos 80? É mais ou menos por ai.

Esse Cremant era feito com 80% de Chardonnay e 20% de Pinot Noir. Tinha 12% de teor alcoólico, bastante aromática e frutada, lembrando pêssego em calda, e o preço era de $ 15,90 euros.A Cremant Brut Nature, não tinha adição de açúcar, é fabricada pelo método tradicional, leva seis anos em maturação, e sai por $ 24,50 euros a garrafa. Na minha opinião uma pechincha pela qualidade da bebida.
Experimentei outros 9 vinhos brancos: um blend de Pinot Blanc com Gewurztraminer, um Riesling, um Riesling Gran Cru, um Pinot Gris, um Gewurztraminer, um Gewurztraminer Gran Cru, Riesling colheita tardia, e um Pinot Gris colheita tardia.

Vou destacar o Riesling Alterberg de Bergbieten, Alsace Grand Cru, safra 2022, Cuvée Henriette, vinho envelhecido em ânforas de pedra, as mesmas pedras que existem na Catedral de Notre Dame de Strasburgo. São apenas 1100 garrafas produzidas a cada safra, dependendo da qualidade das uvas e da colheita, vinho na faixa de $ 26 euros.


