“Vamos acabar com as BETs! Elas estão destruindo famílias!”
“Não acabem com as BETs. Se elas acabarem será o fim do futebol brasileiro!”.
Ouvi muito essas citações nos últimos dias. Uma totalmente populista, eleitoreira. Outra espetaculosa, hiperbólica.
Ora, ora, ora… nós aqui que, semanalmente, falamos sobre negócios que cercam o mundo do futebol, precisamos também nos manifestar, mostrar o que pensamos.
A primeira citação é, como boa parte das citações políticas, de uma hipocrisia sem tamanho. Não são as BETs que estão destruindo famílias. Quem destrói famílias, afundando cidadãos em dívidas ou perdendo todo o capital que possuem, não são as casas ou sites de apostas. O “crédito” desse trabalho deve ser dado à falta de inteligência, educação e conceitos do povo que se presta a apostar.
Não conheço um cidadão sequer que foi compelido a pegar o celular ou o computador e gastar dinheiro com apostas. Repito, nenhum. Todos que fazem, usam de seu livre arbítrio. Vão lá e se atolam em dívidas ou perdem recursos conquistados por uma vida.
Fazem por iniciativa própria e também por conta da educação “Paulo Freire” que lhes dá, no máximo, um diploma sem valor, ao invés de educação financeira consistente, que os auxiliasse a não cometer esse erro. As BETs podem até ser um instrumento, concordo. Mas a causa do problema é a falta de preparo (emocional, cultural, educacional) do cidadão brasileiro que o próprio estado não se preocupa e não se interessa em corrigir.
Já a segunda citação, intrinsicamente ligada ao futebol, é mais cretina ainda. Vivemos décadas com patrocínios de empresas que tem vários nichos de atuação diferentes das casas de aposta. E continuaríamos vivendo acaso elas nunca tivessem sido criadas.
O que acontece é que ficou mais fácil o processo. Dá para se angariar mais com as BETs sem muito esforço comercial. Elas chegam no clube oferecendo milhões, não são os clubes que vão atrás delas com o “pires na mão”. E mais, num patrocínio de uma empresa normal, o dinheiro sai do caixa da empresa e vai para o clube. No caso das casas de apostas sempre pode haver um “cotovelo”. E isso interessa demais às pessoas físicas que estão perto do processo.
Estados Unidos, Uruguai, Chile, Argentina, Paraguai, Canadá, boa parte da Europa, liberam o jogo há muito tempo.
Físico e virtual. Mas todos com sua regulação própria, atendendo aos interesses do País e deixando que o cidadão escolha se quer ou não apostar e jogar. Isso chama-se liberdade!
Não é necessário acabar com as Bets. Tampouco o futebol, sem elas, acaba. O que é necessário realmente é uma regulação rígida e eficiente, que corrija as distorções, que impeça os néscios de pensarem que elas são um pote de ouro!
Imagem: gerada por IA
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