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COPA DO MUNDO

Reserva de Courtois falha, Merino mostra estrela, Espanha elimina Bélgica e pega a França na semi

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Lammens e Merino. Antes de a bola rolar no SoFi Stadium, em Inglewood, poucos seriam capazes de apostar que esses dois jogadores seriam as figuras do jogo entre Espanha e Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo. Ambos foram personagens de uma mesma cena. Merino esteve novamente no lugar certo na hora certa, enquanto Lammens recebeu uma missão ingrata e falhou no momento em que sua seleção mais precisava dele. No placar, vitória espanhola por 2 a 1 e classificação à próxima fase da Copa para seguir a busca pela segundo título mundial.

A seleção da Espanha volta a jogar na próxima terça-feira, às 16h (de Brasília), no AT&T Stadium, em Arlington (Texas), para medir forças com a poderosa França e decidir quem irá à final da Copa do Mundo, agendada para o dia 19, em East Rutherford, em Nova Jersey.

O famoso tiki-taka da Espanha foi modificado e aprimorado a cada treinador que passou pela seleção desde a concepção tática feita pela “escola Guardiola”. Sob Luis de la Fuente, a seleção espanhola passou a ser mais objetiva do que era com Luis Enrique, treinador multicampeão com o PSG e com o Barcelona, que não teve o mesmo sucesso liderando o seu país.

Um dos méritos de De la Fuente foi encontrar uma equipe que não depende do brilhantismo de um garoto de 18 anos. Mesmo sem ser uma constelação, a Espanha joga um futebol que a credencia a ganhar a Copa pela segunda vez e justifica o posto de favorita.

A Espanha apresenta um estilo original. Não é necessário vestir vermelho ou branco para identificar que aqueles 11 jogadores em campo são da seleção espanhola. Ora o gol sai com mais facilidade, ora tarda um pouco mais e pode virar um drama, como foi na estreia diante de Cabo Verde e nos jogos contra Portugal e Bélgica.

Contra a Bélgica, foram precisos 30 minutos para que Fabian Ruiz balançasse a rede. Porro e Yamal tabelaram pela direita. O cruzamento veio para Olmo, que finalizou. Courtois deu rebote, e Ruiz surgiu de surpresa na área para abrir o placar.

Outro mérito desta seleção espanhola é não medir a capacidade dos atletas pela experiência que têm. Os dois mais jovens do elenco são o zagueiro Cubarsí, de 19 anos, e Lamine Yamal, de 18.

Até este jogo, a Espanha carregava uma estatística invejável de não ter sofrido nenhum gol. No entanto, enfrentou uma seleção que marcou 12 gols nos três jogos que antecederam o duelo. Cubarsí, tão seguro em outros momentos, se viu em maus lençóis quando a Bélgica foi minimamente perigosa. De Ketelaere, sensação da Bélgica, reforçou seu faro artilheiro ao se antecipar ao jovem zagueiro do Barcelona para aproveitar o cruzamento e empatar o jogo.

No começo do segundo tempo, apesar da manutenção da posse de bola com a Espanha, a Bélgica conseguiu ser incisiva em alguns momentos. A partida ficou mais aberta. A igualdade no placar fez com que os espanhóis precisassem se arriscar mais, com Yamal tentando mais dribles.

Aos 25 minutos, um baque para os belgas. O experiente goleiro Courtois sentiu uma lesão na coxa esquerda e precisou ser substituído. Em sua vaga, entrou Lammens, titular do Manchester United.

Quando o jogo parecia caminhar para a prorrogação, outra substituição provocou uma mudança no roteiro. Merino, autor do gol da classificação sobre Portugal, entrou na vaga de Olmo, aos 42. No minuto seguinte, Cubarsí chutou de longe, o goleiro Lammens bateu roupa e entregou de bandeja para Merino, que apareceu na pequena área para finalizar e comemorar.

O apito final em Inglewood também encerrou uma era para uma geração de ouro, que fez mais do que o habitual para os belgas, mas deixou a impressão de que poderia ter ido além.

Nas três Copas anteriores, a Bélgica entrou como candidata a surpresa e até mesmo houve quem a apontasse entre as favoritas. A sua geração de ouro correspondeu na Rússia-2018 ao conquistar um digno terceiro lugar, mas fracassou no Catar-2022. Por isso, chegou à América do Norte sob baixas expectativas. Os empates com Egito e Irã deram o tom.

No entanto, a seleção belga desencantou a partir do terceiro jogo. Atropelou Nova Zelândia, virou um jogo improvável contra Senegal e goleou os anfitriões dos Estados Unidos. O grande segredo da Bélgica passou pela personalidade de seu treinador, que não se absteve de deixar ícones no banco de reservas e apostar em talentos menos badalados, como é o caso de De Ketelaere, que comandou o ataque belga e deu esperanças para o futuro da seleção.

ESPANHA 2 x 1 BÉLGICA

ESPANHA: Unai Simón; Porro, Cubarsí, Laporte e Cucurella; Rodri, Fabian Ruiz (Pedri) e Dani Olmo (Merino); Baena (Ferran Torres), Yamal e Oyarzabal (Nico Williams). Técnico: Luis de la Fuente.
BÉLGICA: Courtois (Lammens); Castagne, Ngoy, Mechele e De Cuyper (Seys); Vanaken (Lukaku), Doku, Raskin, Trossard (Witsel) e De Bruyne (Saelemaekers); De Ketelaere. Técnico: Rudi Garcia.
GOLS: Fabian Ruiz, aos 30, De Ketelaere, aos 41 minutos do 1º tempo; Merino, aos 43 minutos do 2º tempo.
CARTÕES AMARELOS: Cubarsí, Laporte, Witsel e De Bruyne.
ÁRBITRO: Michael Oliver (Inglaterra).
PÚBLICO: 70.492 presentes.
LOCAL: SoFi Stadium, em Inglewood (Califórnia-EUA).

Foto: Divulgação Fifa

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