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ANA CLAUDIA WIECHETECK CABECA hojesc

A constância necessária

constância

Esta coluna é especial para mim. É a primeira vez que eu chego à marca de 100 colunas escritas! São 100 colunas que me desafiei semanalmente a escrever de forma descomplicada sobre diversos assuntos importantes de Marketing e empreendedorismo. Assuntos que eu julgo importantes para o pequeno empreendedor. E neste desafio, a constância, ainda que semanal, foi minha aliada.

O exercício periódico de sentar, organizar ideias, estruturar um raciocínio e transformar isso em conteúdo não dependeu apenas de inspiração ou de disponibilidade, mas também de decisão de fazer disso uma rotina. Essa constância que apliquei para escrever as colunas, se estende também para dentro do ambiente empresarial, para as diversas atividades que temos no nosso dia a dia e também dentro das ações de Marketing.

Dentro do seu mercado de atuação, diante de necessidades de ações promocionais e de posicionar-se diante dos seus clientes e dos seus concorrentes, engana-se quem busca soluções rápidas, movimentos pontuais ou ações isoladas que prometem resultados imediatos. No Marketing, isso aparece com frequência na troca frequente de estratégias, na interrupção cedo demais de campanhas e na busca contínua por “novidades” que prometem resolver problemas dos mais diferentes possíveis.

O problema dessa abordagem é simples: sem constância não há resultado consistente.

O Marketing empresarial não funciona como um interruptor que se liga e gera retorno imediato. Ele também funciona com a constância: precisa de repetição, ajustes, análises e continuidade dentro de um direcionamento claro. Quando uma empresa inicia uma ação e interrompe antes de amadurecer, ela não apenas deixa de colher resultados, mas também perde o aprendizado que aquela ação poderia gerar.

Isso cria um ciclo improdutivo: começa uma campanha, interrompe, recomeça de outra forma, interrompe novamente. E, no fim, a sensação é de esforço gigantesco com pouco retorno e a aquele sentimento mais temido por qualquer empresário: de que está jogando dinheiro fora em estratégias que não funcionam.

Mas é importante entender que a constância não significa rigidez, nem insistir em algo que claramente não está funcionando. Mas significa sustentar uma linha estratégica enquanto se fazem ajustes táticos ao longo da execução. Ou seja, o objetivo macro permanece. O planejamento estratégico básico continua direcionando as ações, agora refinadas com base em dados, percepção de mercado e resposta do público.

Muitas vezes, a falta de constância não está na execução mas sim na ausência de um objetivo claro e de uma estratégia sólida que sustenta a empresa. Quando não existe este direcionamento bem definido, qualquer ação parece válida. Mas com esta mesma facilidade, qualquer ação também pode ser descartada. Isso leva a empresa a não focar totalmente nas ações e à dificuldade de mensurar o que funciona de verdade.

As empresas que operam com constância tendem a apresentar um comportamento diferente: a comunicação e o posicionamento conectam, mantêm uma presença mais estável nos canais adequados ao seu mercado, desenvolvem uma identidade mais clara e constroem uma relação mais previsível com o público. O cliente passa a entender o que pode esperar da marca. A equipe interna ganha mais clareza sobre como agir. E a tomada de decisão se torna menos reativa e mais estratégica.

Não é uma campanha específica que transforma o posicionamento de uma empresa. Não é uma ação pontual que constrói a sua reputação. Mas sim a soma de decisões consistentes repetidas ao longo do tempo dentro de uma lógica clara. O que exige muita paciência e direcionamento! Pode exigir, também, resistir à tentação de abandonar uma estratégia no meio do caminho apenas porque os resultados não foram imediatos.

A constância também requer maturidade para avaliar o que deve ser ajustado e o que deve ser mantido. Portanto, ao pensar no seu Marketing, sempre vale uma reflexão: você está operando com constância ou apenas reagindo a estímulos pontuais? Os resultados sustentáveis não vêm de movimentos isolados, mas são construídos por quem consegue manter a direção, mesmo quando o retorno ainda não é visível de forma imediata.

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