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GLENN STENGER CABECA hojesc

Algoritmo! A nova forma de se fazer valor!

Todos nós sabemos o que é o UFC – Ultimate Fighting Championship. O maior evento de artes marciais mistas do planeta. Toda semana tem um card novo. Ao todo são 43 durante o ano, com lutas masculinas e femininas, em diversos pesos e categorias.

Esse esporte atrai multidões. Tem adeptos por todos os cantos. É, no meu ponto de vista, o retorno do homem à sua forma mais arcaica. Onde tudo se decidia na base da pancada. A diferença é que, nos dias atuais, decide-se dentro de um octógono e com regras que nossos ancestrais longínquos não possuíam.

Mas não estamos aqui para falar do esporte em si. Vamos falar do negócio que gira ao redor dele.

Como todos os cantos do planeta o assistem, até muito pouco tempo, a mais expressiva receita do evento era o pay per view. E a ESPN pagava cerca de 350 milhões de dólares, anualmente, pelos direitos originais de transmissão. Subdividia isso em vários canais pelo mundo e tinha, como principal receita, as assinaturas (mensais ou apenas por evento).

Aí veio a Paramount. E, quando se achava que o valor já era bem expressivo pelo produto, a Paramount triplicou a aposta. Pagou 7,7 bilhões de dólares por 7 anos de contrato. Algo em torno de 1,1 bilhão de dólares por ano. Número assombroso, surreal.

E mais ainda: não cobra pay per view, não cobra para passar os eventos ao vivo. Estão loucos será? A resposta é não, de forma alguma.

Eles compraram os direitos de transmissão do UFC, mas o que eles querem, na verdade, é diferente. O que eles querem é que o algoritmo UFC gire em torno só deles. Tudo que for linkado ao evento, trará retorno em todos os outros programas, séries, comerciais e publicidades que a Paramount veicule.

Paramount não quer o dinheiro das lutas apenas. Quer o dinheiro das assinaturas do seu canal completo, e de todo o universo de oportunidades que centenas de milhões de pessoas, fãs das lutas nos 5 continentes, podem oferecer.

Quanto mais cara a publicidade, de toda a sua grade normal de programação, poderá ser cobrada a partir de agora?

Quantos mais anunciantes terá (não apenas durante os eventos de luta)? E, durante as 43 datas anuais, quanto custará cada inserção publicitária (eventos ao vivo e de impacto, normalmente quintuplicam os valores habituais)?

Quantos milhões de homens (público alvo do UFC), na mais pujante faixa etária de consumo (dos 20 aos 60 anos), ingressarão nas prateleiras da própria Paramount e de todos as empresas que se vincularem ao evento?

O algoritmo faz o processo sozinho. Toda vez que se entrar numa rede social, num site, numa plataforma de apostas, a inteligência artificial, que dita o algoritmo, direcionará esses consumidores para o que quiserem que seja visto ou lido. E isso tem valor incomensurável.

Algoritmo mede retenção. Não está preocupado em quem ganhou ou quem perdeu a luta. E isso também deve mudar quem estará no octógono. Nem sempre quem mais merece, o melhor, lá estará. Quem mais chamar atenção, quem mais tiver seguidores, quem mais gerar discussões nas redes sociais, quem tiver mais carisma, trará mais receita indireta. E, no final, é isso que fez com que todo esse valor estratosférico fosse pago pela exclusividade de transmissão.

O UFC completará em 2026, 33 anos de sua fundação. Entretenimento “novo” e que já é um dos mais rentáveis do planeta. Aproveitou a sua excelente distribuição geográfica para consolidar o esporte, quebrar barreiras e fazer dele uma máquina de dinheiro. Paramount, algoritmo e visão de futuro o farão cada vez tornar-se ainda maior.

Se alguém for ler essa coluna de hoje, no ano de 2050, não se assuste se o UFC já for considerado a maior empresa de entretenimento esportivo e que o MMA seja o esporte mais visualizado e comercializado (direta ou indiretamente) no mundo. Tudo que está sendo plantado sugere que serão!

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