Os americanos fazem guerra e mudam a geografia mundial. Na verdade não são os americanos mas sim o seu presidente Donald Trump, que transforma o planeta em um lugar inseguro e violento. O preço do petróleo lá na estratosfera, o nosso óleo diesel subindo quase 20% e os reflexos desta confusão já estão espalhados por aí.
Alguns vão dizer que ele tem razão, outros vão dizer que ele está errado. Não quero fazer discussão ideológica já que o meu assunto é vinho. Mas acredito que um mundo pacífico é bem melhor que um mundo bélico.

Os americanos podem ter uma série de defeitos, mas uma coisa a gente precisa reconhecer, quando eles resolvem fazer uma coisa eles fazem bem feito. Passei pelo Vale do Silício e estou impactado com a tecnologia e o volume de dinheiro que existe naquela região da Califórnia. E fiquei mais impactado ainda com uma pequena loja de vinhos locais. Experimentei um branco e um tinto e digo para vocês: quero voltar ao Napa Valley e descobrir outras regiões vinícolas dos EUA.
Os vinhos americanos não são baratos, e para você tomar coisa boa, com bom custo benefício, você precisa garimpar muito. Vai tomar muito coisa ruim antes de achar algo que te agrade, ou que se compare aos vinhos de outras regiões do mundo.
Eles investem muito em vinhos orgânicos, biodinâmicos, sem álcool, entre outros. Talvez possuam mais tecnologia na produção de vinho do que qualquer outro país. Isso se torna uma vantagem quando o assunto é qualidade, e uma desvantagem quando o assunto é preço. Tecnologia é cara e isso acaba impactando no custo final ao consumidor.
No México

Eu, na minha santa ignorância, achava que o México produzia apenas cerveja e tequila, e não é que me deparei com um vinho branco produzido no Valle de Guadalupe, Baja Califórnia. Um Sauvignon Blanc, safra 2024. Vinho com 12,2% de teor alcoólico, muito leve mas extremamente saboroso e mineral. Quando coloquei na taça a cor era uma amarelo suave, um dourado transparente, tinha uma explosão de aromas como maracujá, pêssego e abacaxi, e na boca ele era mineral. Muitíssimo bom. Levei para tomar em casa, por isso pude apreciar com calma. Saiu US$ 28,00 porque foi comprado em um empório. Mas o preço quando você pesquisa varia muito pouco, parte dos 25 aos 29 dólares. A vinícola se chama Monte Xanic e com certeza entrou na minha lista de viagens etílicas.
Michel Roland

Tomei o vinho Pedestal Merlot safra 2020 num jantar. Foi o segundo vinho da noite, o primeiro foi um Pinot Noir produzido por Paul Hobbs. No cardápio não tinha todas as informações necessárias sobre este vinho. Como sobrou quase meia garrafa, usei a rolha para tampar e levei para casa. No dia seguinte fui olhar e experimentar e ele estava melhor ainda do que na noite anterior. Este vinho é mais um do Michel Roland, falecido recentemente aos 78 anos.
Produzido pela Long Shadows Winery é uma jóia em forma líquida. Premiado com 96 pontos por Jeb Dunnuck. Tinha 15,1% de teor alcoólico, quase um licor quando você coloca na taça. Uma cor rubi-violeta bastante intensa, aromas de baunilha e frutas negras, na boca os taninos são intensos mas suaves. Uma perfeição de bebida. Fiquei feliz em poder homenagear Roland que foi considerado um mago da enologia mundial. Na vinícola ele é vendido por US$ 75,00.


