A partir de outubro começa a temporada de festas de encerramento de ano. Quem organiza festas tanto na firma, quanto na família, sabe que planejamento é fundamental para conseguir fazer um encontro que agrade o maior número de pessoas. Não dá para agradar todo mundo, e em toda a firma, e em toda família, tem sempre aquela personagem que reclama de tudo, não adianta estar perfeito, a pessoa sempre vai achar um defeito.
Quando a gente fala em planejamento dos vinhos para o final do ano, começar a comprar cedo pode parecer um exagero, mas não é. Com o Dólar e Euro nas alturas os importadores e comerciantes trabalham hoje com estoque baixo. Pouco dinheiro imobilizado em vinho parado em algum depósito, muito menos nas adegas de bares e restaurantes. Por isso o vinho de hoje pode não existir mais amanhã. Acabou. Vai ter que escolher outro ou pagar mais caro.

Ninguém aqui quer gastar milhões em vinhos. Festa grande a gente tem que pensar no grupo como um todo. Se o fulano de tal é apreciador de vinhos caros, ele pode tomar o vinho XYZ outro dia. Nestes eventos a gente se reúne para celebrar o ano, as conquistas, as derrotas, falar mal do chefe ou da sogra. É dia de dar risada. As dicas da semana são dois vinhos tintos com excelente custo benefício, que a gente ainda pode encontrar nas lojas e distribuidoras, vinhos que com certeza ou estarão mais caros no final do ano, ou vão acabar se você deixar para comprar na última hora.
Um super BBB italiano
Ele é super porque este blend e vai de encontro ao paladar do brasileiro, que gosta dos vinhos da região da Puglia, terra da uva Primitivo di Manduria. Este é um pouco diferente, não leva a Primitivo, mais sim outras três uvas: Malvasia Negra, Negro Amaro e Sangiovese. Miluna Rosso de Puglia é da safra 2021, tem apenas 12% de teor alcoólico, o que vai fazer ele descer redondo, desde que esteja na temperatura certa.

Vinho produzido por uma cooperativa com 1200 produtores. Vinho de alta escala mas que entrega muita qualidade. Na taça ele tem uma cor rubi violeta, aromas de especiarias como cereja mais madura, e na boca os seus taninos suaves fazem dele um vinho fácil de beber. Pesquise bem os preços porque este ano ele já esteve à venda na promoção por R$ 55,00, passou para R$ 72,00 e agora está em R$ 84,00.
Colchagua Valley
Foi com o Fernando Ghignone que tomei pela primeira vez um Laura Hartwig, vinho chileno produzido no Colchagua Valley. Foi numa antiga loja de vinhos que tinha quase em frente ao prédio da Copel, no bairro do Batel, em Curitiba. Esse é um ótimo vinho chileno, produto de uma tradicional família que é dona da Viña Bisquertt. Laura é nome da herdeira, que casou e incorporou o nome do marido, e juntos construíram uma vinícola boutique bastante respeitada: www.lauraharting.cl. Eles produzem diversos vinhos, muitos deles premiados, e reconhecidos entre os enófilos pela sua alta qualidade.

O Laura Hartwig Single Vineyard é praticamente o vinho de entrada desta linha. Mas é um vinho que entrega muito, e você fica imaginando o que os demais vinhos da linha devem entregar. É um vinho 100% Carmenere, com 13.5% de teor alcoólico. Na taça este vinho tem uma cor rubi mais fechada, aromas de frutas negras e especiarias, e na boca é frutado, com acidez equilibrada e taninos leves, apesar de ter passado 12 meses por barricas de carvalho. Vinho que está variando entre R$ 120,00 e R$ 140,00. Ótimo custo benefício para o padrão de vinho que ele é.
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