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GLENN STENGER CABECA hojesc

Alex: o exemplo prático do quanto está difícil se fazer futebol

Tenho hoje 53 anos. Já vi muitos jogadores aqui no nosso estado. Nenhum deles chegou perto de ter as características técnicas do Alex. Era absurdamente acima da média, com uma visão de jogo que poucos jogadores no globo tiveram e, também, muito inteligente em suas ponderações. Não à toa tem o respeito de tanta gente no mundo da bola. Não à toa tem até estátua na Turquia onde é tratado como semideus.

Nos dias de hoje está buscando se estabelecer em carreira de treinador de futebol. Função que, apesar de próxima à de jogador, é totalmente diferente daquela que ele desempenhou anteriormente, com maestria.

Nessa nova jornada, está no Operário de Ponta Grossa. Equipe que representa muito a cidade sede, que tem forte vínculo com sua população, que tem apoio de empresariado local e que disputa a série B do Campeonato Brasileiro. Não é qualquer equipe, pelo contrário.

Isso exposto, vou focar numa entrevista dele. Ele diz que, para ajustar o elenco para a próxima temporada, já falou com 20 jogadores. Dos 20, 15 já disseram não. E isso que, especulo aqui, o Alex não deveria estar falando com CR7s, Messis. Deveriam ser jogadores de qualidade técnica aceitável apenas.

Oras, se falam não para uma equipe sólida e falam não para uma pessoa que tem o currículo, a imagem, o respeito do Alex, o que é que não dizem para as equipes de menor expressão e para os representantes dessas equipes que estão buscando contratar atletas???

Aqui no nosso espaço já dissemos várias vezes o quanto os empresários, amparados por uma lei que já está ultrapassada há décadas (Lei Pelé), fazem e desfazem, mandam e desmandam.

Por mais que eventualmente algum atleta até queira estar nessa ou naquela equipe, o empresário trava. Vê apenas o seu próprio bolso e o seu próprio business.

Jogadores com potencial no máximo mediano, por não ter controle de suas carreiras, ficam totalmente à mercê do que seus representantes queiram para si. Esperam até o último instante para viabilizar negócio com seus atletas para que seus objetivos de visibilidade de ativo, de remuneração, de encaixe junto à outra negociação de atleta (venda casada) e de comissionamento pelo agenciamento, sejam atingidos.

Os clubes pagam caro demais por isso. A institucionalização das ditas janelas de transferência, auxiliou ainda mais os agentes nesse trabalho não muito ético. Eles ganham o tempo a favor deles. Se as negociações não forem fechadas no tempo das janelas, o clube não pode inscrever atletas e aí compromete-se ainda mais o processo como um todo.

Nosso intuito aqui sempre é falar de dinheiro e negócios. Mas ligados ao business em si. Não aos agentes e toda a horda que orbita o ambiente do futebol. A legislação tem que ser revista imediatamente. Quem faz futebol são os clubes e os jogadores. As receitas devem permanecer, na absoluta maior parte, com eles.

Agentes devem ser remunerados? Sim. Prestam serviço e devem receber por tal. Mas remunerados de forma a não terem poder de pressionar clubes e atletas. Remunerados na medida correta, em que o poder paralelo deles não possa interferir diretamente no resultado do produto futebol.

Sorte ao Alex. Terá trabalho. Tem competência para isso. Mas o desafio não é pequeno!

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