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Alegria, alegria

Alegria, alegria

alegria

Caetano Veloso convocou um ato pró-Lula em Copacabana. Ele e Paula Lavigne alardearam a manifestação nas redes sociais e fizeram questão de se projetar como estrelas do show. É um realejo que o baiano entoa desde 1989, quando o petista foi candidato à presidência pela primeira vez. Desde então, são sete campanhas: Lula perdeu três, venceu três e pode conquistar agora o quarto mandato. No palanque, Caetano cantou ‘Sina’ ao lado de Djavan para ‘caetanear o que há de bom’ — além de ‘Açaí’, com seu ‘zum de besouro, místico clã de sereia’. Assim, o país vai caetaneando.

Se Lula vencer as eleições, a conta será de R$ 290 bilhões, segundo apurado pela Folha de S. Paulo. É a soma de tudo o que ele prometeu em bondades em pouco mais de um mês. Lula quer mais quatro anos a todo custo. Mas quem paga é o contribuinte, pois dinheiro público não existe: é uma ficção.

Entre os dias 9 de setembro e 15 de outubro, o petista derramou benefícios: desonerou a gasolina, reforçou o Minha Casa, Minha Vida, reajustou o Bolsa Família (que ‘ele não sabia’ estar defasado), decretou o fim das bets, anunciou o Desenrola Brasil 3.0, baixou novas medidas para combustíveis com renúncia fiscal, concedeu Pix de R$ 5 mil às MEIs sem dizer de onde virão os recursos, perdoou as dívidas das microempresas (também com renúncia fiscal), ampliou o programa Pé-de-Meia e anunciou tarifa zero para o transporte público nos fins de semana. Para coroar, fez aprovar a toque de caixa o fim da escala 6×1 e está pronto para aprovar a PEC da Segurança, com redução da maioridade penal a menos de uma semana da eleição. Com a bênção da esquerda, Lula fala em mandar para a cadeia adolescentes de 16 anos. E, se ele diz, está tudo bem.

O abacaxi é tamanho que qualquer adversário — até o poste de Jair Bolsonaro — faria muito bem se escapasse em fuga desabalada frente ao cenário de nau a pique em um mar de lama.

O cenário é ainda pior se considerada a ingovernabilidade que se anuncia com um parlamento evidentemente à direita e a manutenção da camarilha do STF encabeçada por Alexandre de Moraes e Flávio Dino. Petistas ruborizados tentam encontrar um tico de legalidade na interferência de ministros no pleito eleitoral. Moraes, certamente, deve escapar do escrutínio de seus pares no caso envolvendo o vigarista Daniel Vorcaro. E as bets? Ora, as bets, para gáudio dos clubes de futebol, estarão de volta tão rápido quanto se foram. O prazo para votação vai até 5 de março de 2027, considerado o período de recesso. Até lá, as fichas estarão na mesa e Lula, se eleito, exercerá o seu direito ao silêncio obsequioso. É a nossa ‘Sina’.

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